Corinthians anuncia naming rights, e estádio vai se chamar Neo Química Arena

Empresa pagará R$ 300 milhões para batizar por 20 anos arena do clube em Itaquera

São Paulo

O Corinthians anunciou no início da madrugada desta terça-feira (1º), dia em que completa 110 anos, a venda dos naming rights de sua arena em Itaquera para a Hypera Pharma. O estádio passará a ser chamado de Neo Química Arena, uma das empresas do grupo.

Não foram revelados detalhes do acordo. A Folha apurou que a Hypera Pharma, um conglomerado do ramo farmacêutico, assinou um contrato de 20 anos com o clube e desembolsará R$ 300 milhões, em parcelas anuais de R$ 15 milhões.

"É uma parceria. Será muito mais do que o nome do estádio", disse o presidente Andrés Sanchez, sem dar detalhes, durante transmissão ao vivo promovida pelo Corinthians direto do gramado da arena para o aguardado anúncio. Uma entrevista coletiva está marcada para esta terça.

O Corinthians encaminhou também um acordo para que empresas da Hypera Pharma patrocinem a camisa da equipe. O banco BMG é o patrocinador máster do uniforme e tem contrato até 2021.

"Estamos realizando algo que estavam nos cobrando há muito tempo. Vai ser um boom para o futebol brasileiro, não só para o Corinthians", afirmou Sanchez.

A empresa é dona de marcas como Doril, Engov e Neo Química. Esta última, inclusive, já teve sua marca na camisa alvinegra como patrocínio máster em 2010 e 2011, levada ao clube pelo então jogador Ronaldo, que recebia uma parte dos contratos com parceiros comerciais que captava para a equipe. Na época, o conglomerado se chamava Hypermarcas.

No plano original de construção do estádio, inaugurado em 2014, os naming rights seriam vendidos por R$ 400 milhões.

Mas ter conseguido um acordo seis anos após a inauguração não deixa de ser uma vitória de Andrés Sanchez, sempre lembrado de que a ausência de um contrato pelo nome da arena era uma das causas dos problemas financeiros para o pagamento dela.

O anúncio da venda dos naming rights ocorre quase nove anos depois da primeira promessa feita pelo presidente e cerca de três meses antes do próximo pleito no Parque São Jorge, em 28 de novembro.

Em 2 de fevereiro de 2012, quando o estádio ainda estava em obras, o cartola disse em entrevista à Folha que sete empresas tinham interesse no patrocínio.

"Depois que o próximo presidente assumir, divulgamos em, no máximo, 30 ou 40 dias [o contrato]", afirmou na ocasião como mandatário licenciado do clube, pois passaria a atuar como diretor de seleções da CBF.

Roberto de Andrade assumiu a presidência de forma interina, o estádio foi inaugurado em maio de 2014, sediou a abertura e mais cinco jogos da Copa do Mundo de 2014, mas o clube não conseguiu negociar os naming rights.

Nesse período, o local passou a ser chamado oficialmente de Arena Corinthians.

Enquanto isso, diversas empresas tiveram seus nomes ligados a possíveis negociações pela propriedade de marketing. Só na semana passada, a varejista Magazine Luiza e a cervejaria Heineken precisaram vir a público para negar tratativas com o clube. A empresa de tecnologia Amazon também havia sido cotada.

Em seus últimos meses à frente do Corinthians, Andrés Sanchez passou a tratar a venda do nome do estádio como prioridade para conseguir fazer um terceiro sucessor, depois de usar sua influência para eleger Mário Gobbi Filho (2012-2015) e Roberto de Andrade (2015-2018).

No primeiro semestre deste ano, o mandatário chegou a afirmar que se afastaria da política do clube após o fim de seu mandato, no entanto voltou atrás incitado pelas críticas que tem recebido de opositores, incluindo dissidentes de seu grupo que agora apoiam outros candidatos, como o próprio Gobbi.

Sanchez ainda não declarou oficialmente qual candidato terá seu apoio. "Vou entrar como se fosse a primeira vez e vou participar ativamente da política até o fim do ano."

Diretor de futebol do Corinthians desde 2018, Duílio Monteiro Alves é o mais cotado a sair candidato pela chapa Renovação e Transparência, fundada pelo atual presidente em 2007, quando ascendeu ao poder.

Sob a gestão de presidentes desse grupo político, a dívida do Corinthians cresceu, e a construção da arena foi um sonho que se tornou um problema financeiro quase incalculável.

Orçado inicialmente em R$ 335 milhões, o preço do estádio saltou para R$ 985 milhões (R$ 1,3 bilhão em valores atualizados) à época de sua inauguração, em 2014.

A estrutura financeira para a execução do projeto consistiria em empréstimo repassado pela Caixa no valor de R$ 400 milhões, além dos CIDs (Certificado de Incentivo ao Desenvolvimento), estimados em R$ 420 milhões.

Como esses papéis só foram emitidos pela Prefeitura de São Paulo após a inauguração do estádio e com o valor fracionado de acordo com o orçamento do município para cada ano, a Odebrecht, construtora responsável pela obra, precisou captar empréstimos no mercado, o que tornou o projeto ainda mais caro.

Em agosto de 2019, a empresa estimava que o clube lhe devia cerca de R$ 800 milhões, mas no mesmo mês anunciou um acordo para reduzir o montante para R$ 160 milhões.

Além desse valor, o Corinthians ainda tem de pagar a dívida com a Caixa, repassadora do empréstimo feito junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social). Segundo o clube, ela é estimada em cerca de R$ 450 milhões. Para o banco estatal, o valor é de R$ 536 milhões.

O atraso no pagamento desse débito fez a instituição financeira executar a dívida em setembro de 2019 e cobrar multa de R$ 48,7 milhões por ter ajuizado ação para cobrar seis parcelas. Desde então, as partes passaram a negociar novas condições.

A pandemia do novo coronavírus, no entanto, atrapalhou as tratativas, sobretudo porque a principal fonte de receita para o pagamento do empréstimo é proveniente das bilheterias dos jogos do time. Mesmo com a retomada do futebol, as partidas estão ocorrendo sem torcida.

No ano passado, segundo balanço do clube, dos R$ 62 milhões arrecadados com bilheteria, o Corinthians deveria repassar o valor líquido de R$ 39 milhões (descontando despesas conforme o borderô dos jogos) ao Fundo Arena FII, que administra o local. O clube, no entanto, repassou R$ 28 milhões.

O fundo diverge desse valor e, em seu balanço, diz que tem a receber do Corinthians R$ 47 milhões.

A venda dos naming rights terá como principal objetivo amenizar a dívida a partir agora, uma vez que o valor pago pela Hypera Pharma terá de ser repassado integralmente para o pagamento das parcelas.

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