Nadal e Djokovic buscam façanhas na final de Roland Garros

Sérvio tenta ser 1º a desbancar rival na decisão; espanhol pode igualar marca de Federer

São Paulo

Em um Roland Garros disputado fora de sua data habitual e repleto de imprevisibilidades relacionadas ao clima e à pandemia, Rafael Nadal, 34, e Novak Djokovic, 33, se encontrarão numa final pouco surpreendente, mas bastante aguardada, neste domingo (11).

O duelo entre os dois melhores tenistas do mundo na atualidade está marcado para as 10h (de Brasília), com transmissão dos canais SporTV 3 e BandSports.

Nenhum encontro do circuito masculino se repetiu tanto na era profissional do esporte quanto o clássico entre esses dois. O sérvio leva vantagem sobre o espanhol no confronto direto, 29 vitórias a 26. O último jogo foi em janeiro deste ano, pelo torneio entre países ATP Cup, e teve triunfo tranquilo de Djokovic.

O número 1 do mundo venceu o vice-líder do ranking também na última decisão que eles fizeram em um torneio do Grand Slam (Australian Open de 2019) e até mesmo no embate mais recente em Roland Garros.

Há cinco anos, Djokovic impôs a Nadal sua segunda derrota na carreira no torneio que ele já venceu 12 vezes. O único outro revés sofrido pelo espanhol no saibro de Paris foi diante do sueco Robing Soderling, nas oitavas de final de 2009.

Um ano após perder para o sérvio nas quartas de final, o maior vencedor da história de Roland Garros precisou desistir antes da terceira rodada, por conta de uma lesão.

Se o histórico recente pode fazer Djokovic se animar, Nadal tem o impressionante retrospecto de 12 vitórias e nenhuma derrota nas finais desse Slam, que o sérvio venceu apenas uma vez, em 2016, contra Andy Murray. Ele tem ainda três vice-campeonatos, dois com derrotas para o rival deste domingo (2012 e 2014) e um para o suíço Stan Wawrinka (2015).

Rafael Nadal e Novak Djokovic após o duelo com vitória do sérvio em 2015
Rafael Nadal e Novak Djokovic após o duelo com vitória do sérvio em 2015 - Kenzo Tribouillard - 3.jun.15/AFP

A decisão de 2020 tem papel importante também na disputa que os dois e Roger Federer travam pelo total de conquistas nos Slams. O suíço de 39 anos é o líder nesse quesito entre os homens, com 20 troféus, seguido por Nadal (19) e Djokovic (17).

Ou o espanhol se igualará a Federer, em recuperação de cirurgias no joelho, ou o sérvio colará de vez nos dois rivais.

“Hoje dei um passo à frente, no domingo preciso de outro”, disse Nadal nesta sexta-feira (9), após vencer o argentino Diego Schwartzman por 3 sets a 0.

“Estou numa final, não perdi nenhum set, embora seja verdade que houve outros Roland Garros em que me senti melhor. As condições não são perfeitas para o meu estilo ou para o meu impacto na bola, por isso tem muito valor onde estou", completou.

Ele se refere ao clima frio e úmido das últimas semanas em Paris, que está no início do outono, e não na primavera, como costuma ocorrer na data original do torneio, do fim de maio ao início de junho. O adiamento se deu por causa da pandemia, que também limitou o número de espectadores para mil por dia de competição.

A umidade deixa a bola mais pesada, o que reduz o efeito de um dos principais golpes de Nadal, o topspin, que faz a bola subir mais após quicar e dificulta a rebatida do adversário. O espanhol também foi um dos que reclamaram da troca na empresa fornecedora de bolas neste ano. Para ele, as novas, da Wilson, são mais lentas que as antigas, feitas pela Babolat.

Nada disso, porém, o impediu de continuar dominante e vencer seis partidas sem dar qualquer chance para seus oponentes.

Nadal com troféu encostado no seu rosto
Rafael Nadal tem nada menos que 12 títulos em 12 finais em Roland Garros - Eric Feferberg - 10.jun.18/AFP

Djokovic vinha num ritmo parecido até as quartas de final, quando perdeu um set para o espanhol Pablo Carreño Busta. Nas semis, diante do grego Stefanos Tsitsipas, levou um susto após abrir 2 a 0, sofrer o empate e confirmar a vitória na quinta parcial.

"Esta é a casa do Rafa", resumiu o sérvio após a partida sem deixar de destacar seu imponente triunfo em 2015. "Ele é o maior rival que já tive. Jogamos uma montanha de jogos, ninguém jogou tantas vezes. Temos experiência e muito respeito."

Com 37 vitórias em 2020, Djokovic só saiu de quadra derrotado neste ano quando acertou uma bolada não intencional, mas fora da disputa de jogo, na região da garganta de uma juíza de linha e foi sumariamente desclassificado do US Open, nas oitavas de final.

O caso teve enorme repercussão negativa para o atleta, que espera agora ter um desfecho de Grand Slam bem mais feliz.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.