Descrição de chapéu Maradona (1960-2020)

Argentina chora a perda de seu ídolo Diego Maradona

Fãs se reuniram em diferentes locais para prestar homenagens ao craque

Sylvia Colombo Felipe Rodrigues
Buenos Aires

Expectativa, incredulidade e cabeças baixas. Assim estavam os fãs de Maradona que se aglomeravam diante da porta do condomínio no departamento de Tigre (região de Buenos Aires), onde o ex-jogador estava morando desde o dia 11, quando recebeu alta após operação realizada para retirar um hematoma no cérebro.

Sua morte foi confirmada no início da tarde desta quarta-feira (25) por seu advogado, após o jornal argentino Clarín divulgar a informação. Ele tinha 60 anos e sofreu uma parada cardiorrespiratória em casa.

O promotor John Broyard saiu do condomínio às 17h para falar com a imprensa. No mesmo momento, por outra porta, saiu o carro funerário levando o corpo de Maradona escoltado por policiais em motocicletas.

"Informamos que Maradona morreu por volta do meio-dia. A polícia científica chegou às 16h e realizou seu trabalho. Não foram encontrados sinais de violência, porém, o corpo será levado para uma autópsia no necrotério de San Fernando (região metropolitana de Buenos Aires). Apenas depois desse procedimento, será liberado para o velório".

A cerimônia na Casa Rosada, sede da presidência, está marcada para começar na manhã desta quinta (26), aberta ao público.

Em meio à pandemia da Covid-19, são esperadas mais de 1 milhão de pessoas, de acordo com a imprensa argentina.

O ídolo argentino foi internado em Buenos Aires no começo do mês. Passou por uma cirurgia de emergência para um hematoma subdural, um coágulo de sangue no cérebro. Segundo seu médico, o hematoma do lado esquerdo da cabeça teria se formado por causa de uma queda do banco do Gimnasia, time que treinava, ou praticando boxe, um de seus passatempos.

Depois do procedimento, por decisão familiar e médica, Maradona permaneceu hospitalizado devido a uma “baixa anímica, anemia e desidratação” e um quadro de abstinência devido ao vício em álcool, segundo informes médicos.

Ele deixou o hospital no dia 11, oito dias após a cirurgia, para se recuperar em casa.

De acordo com o jornal argentino Olé, Maradona acordou cedo nesta quarta. Ele tomou café da manhã, caminhou e depois voltou para a cama, como costumava fazer. Teria de se levantar de novo às 12h, o que não aconteceu.

Ainda segundo o jornal, sua enfermeira particular entrou no quarto para chamá-lo e o encontrou desmaiado. Então, o socorro médico foi acionado. Nove ambulâncias chegaram ao local, mas Maradona já estava morto.

Após a morte do ídolo, a entrada do condomínio em que Maradona morava foi bloqueada por três viaturas policiais e oficiais em linha, que só deixavam entrar os moradores. Uma delas, que passou se exercitando, contou aos jornalistas que havia duas ambulâncias no lado de dentro, diante da casa que o jogador ocupava.

"Vim para ver se conseguimos fazer um aceno, quando o corpo passar", disse Manoel Sampedro, 34, com o filho. Ambos estavam com a camiseta da seleção argentina. "A partir da nossa geração, Diego será uma lembrança, uma referência da Argentina no mundo", afirmou.

Paulina Cerquera, 46, que mora perto dali, lamentou que não tenha visto Maradona pela região nas últimas semanas. "Ele estava aqui do nosso lado e não viemos homenageá-lo em vida. Creio que a Diego faltou carinho. Estava acompanhado de oportunistas, as pessoas não cuidavam dele, deixaram que bebesse, que consumisse drogas. Os familiares viviam brigando. É uma pena. Um ídolo para todos os argentinos."

Após a notícia da morte, torcedores de vários clubes colocaram suas rivalidades de lado e foram a porta do estádio da equipe do Argentinos Juniors prestar uma última homenagem ao craque que deu seus primeiros passos no futebol no bairro Villa General Mitre, em Buenos Aires.

Em frente a um desenho do craque, torcedores acenderam velas, deixaram flores, colaram cartazes e estenderam camisas.

Entre os torcedores que prestaram homenagens estava Juan Román Ximenes, 57, que traz em sua memória os jogos do "Pibe", que assistiu quando era criança.

“Não consigo imaginar o que está acontecendo hoje. Estou esperando alguém me acordar. Maradona não pode morrer. Ele é mais do que um ser humano, ele é uma lenda. Nunca vou esquecer de quando assisti a alguns jogos com meu pai nesse estádio. Ele marcou minha juventude, nos tornamos grandes por ele. Hoje parte da Argentina morreu, e uma parte minha também."

Já para Ezequiel Gastón, 44, nenhum problema vivido pelo craque apaga o que ele fez pela história não só da Argentina, mas do futebol mundial.

“Todos sabemos que ele enfrentava seus demônios. Sim, ele tinha problemas, mas estava lutando e mostrando que temos que encarar de frente. Ele foi uma lição de vida para o povo argentino. Temos que levar as boas lições, as superações, o amor com que ele honrava nosso país e como ele nos trazia felicidade dentro de campo. Ninguém e nada que ele tenha feito vai apagar isso. Maradona é e sempre será eterno. E lembrado por todos nós.”

Em meio aos cânticos de “Maradona nunca morrerá” Júlio Piñalla, 49, afirmou: “Hoje ele descansou, mas nós garantimos que ele nunca será esquecido, seja por argentinos ou amantes do futebol em todo mundo. Diego Maradona nunca desaparecerá, será sempre nosso eterno camisa 10, que começou neste estádio, a poucas ruas da minha casa.”

No fim da tarde, milhares de torcedores se reuniram em torno do Obelisco para celebrar Maradona, enquanto um telão passava os famosos gols sobre os ingleses na Copa de 1986.

A morte do ídolo foi lamentada por esportistas, políticos e celebridades do mundo inteiro.​

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