Descrição de chapéu Copa Libertadores 2020

Palmeiras vai à final da Libertadores com menos contratações e mais base

No 6º ano de patrocínio da Crefisa, clube muda perfil e pode alcançar seu grande objetivo

São Paulo

Dos 29 jogadores que defenderam o Palmeiras na atual edição da Libertadores, 8 foram formados nas categorias de base do clube. É a maior proporção (27%) de pratas da casa no elenco alviverde em uma disputa da competição continental desde o início da parceria com a patrocinadora Crefisa, em 2015.

O time disputa a decisão do torneio no próximo sábado (30), diante do Santos, em jogo único no Maracanã, às 17h.

Gabriel Menino, 20, e Danilo, 19, têm sido titulares da equipe de Abel Ferreira, enquanto Gabriel Veron, 18, e Patrick de Paula, 21, alternam entre os 11 iniciais e o banco, muito em decorrência de lesões.

Os números refletem a principal mudança de filosofia de trabalho implementada pela diretoria alviverde, sob o comando do presidente Mauricio Galiotte, a partir da temporada 2020.

A demissão do executivo de futebol Alexandre Mattos, substituído por Anderson Barros, foi o primeiro ajuste de rota, em dezembro de 2019.

Mattos teve uma gestão marcada pela liberdade de buscar no mercado os atletas que julgasse necessários para o elenco. Em quatro temporadas, o ex-diretor participou da contratação de oito técnicos e mais de 60 jogadores, grande parte bancada com o dinheiro vindo da patrocinadora. Já Barros assumiu incumbido de priorizar a base.

Em 2019, o Palmeiras teve a segunda maior receita entre os times da Série A: R$ 671 milhões (em valores corrigidos) arrecadados, só atrás do Flamengo, com R$ 889 milhões, segundo análise publicada pelo Itaú BBA.

A própria Crefisa gostava do estilo do ex-dirigente alviverde. "Confio tanto no Alexandre Mattos que, se ele sair, vou rever o investimento que faço no aporte para contratações", disse Leila Pereira, conselheira do clube e presidente da empresa, em 2017.

Durante a gestão dele, foram três títulos conquistados, os brasileiros de 2016 e 2018 e a Copa do Brasil de 2015. Faltou, porém, o maior dos objetivos do time e da patrocinadora: ser campeão da Libertadores

Chegar às semifinais do torneio, em 2018, ano em que o clube teve somente dois jogadores da base entre os 28 que entraram em campo, foi o melhor resultado palmeirense no torneio continental com Mattos na direção.

Além disso, o período com gastos elevados no departamento de futebol ampliou a dívida do clube, uma das razões pelas quais houve a mudança na gestão. Segundo relatório do Itaú BBA, de 2018 para 2019 a dívida total do Palmeiras subiu de R$ 440 milhões para R$ 530 milhões.

Parte desse valor é devido à Crefisa, em um débito originado após a Receita Federal determinar em 2018 mudança no modelo de parceria entre as partes. Até então, além do patrocínio, a empresa fazia aportes extras para levar reforços ao clube, e esses valores não necessariamente eram devolvidos. A revisão da Receita fez com que as transações fossem consideradas empréstimos que o Palmeiras passou a ter de quitar.

A divida inesperada irritou parte da torcida, sobretudo por contratações como a do atacante Carlos Eduardo, que chegou ao clube em 2018 por R$ 25 milhões. Em campo, ele não deu o retorno desejado.

Por isso Galiotte determinou que em 2020 o Palmeiras teria de ser mais criterioso na busca por reforços e passar a colher os frutos dos investimentos que fez na formação de jovens.

Segundo o gerente das categorias de base, João Paulo Sampaio, nos últimos anos foram gastos R$ 90 milhões no setor. Os garotos conquistaram uma série de títulos, como o tetracampeonato paulista sub-20 (2017, 2018, 2019 e 2020), a taça do brasileiro da categoria, em 2018, além da Copa do Brasil de 2019.

Sampaio afirma que atletas revelados e que acabaram negociados pelo clube antes de terem uma oportunidade no profissional renderam aos cofres palmeirenses R$ 284 milhões nos últimos três anos.

"Não é todo ano que tem de subir atletas em grande quantidade. Alguns ainda vão passar mais tempo na base. Mas esse [aproveitamento maior] é um caminho sem volta", diz o gerente.

Vanderlei Luxemburgo foi o primeiro técnico contratado sob a nova filosofia palmeirense. Com ele, o time conquistou o Campeonato Paulista de 2020, ao vencer o Corinthians na final, decidida nos pênaltis. Coube a Patrick de Paula converter a cobrança decisiva.

Com a demissão do treinador, em outubro, quando ele não resistiu à pressão pelas atuações irregulares da equipe sob seu comando, o Palmeiras traçou como meta buscar um técnico com conhecimento para trabalhar com jovens promessas.

"Investimos nas categorias de base e muitos garotos já estão na equipe profissional, então definimos uma filosofia de jogo, fizemos contratações pontuais, pesquisamos detalhadamente o mercado e contratamos o técnico Abel Ferreira para implementar esse novo conceito", disse Galiotte, após a chegada dele.

Em seu processo para se tornar treinador, o português trabalhou na base do Sporting, um dos clubes de Portugal com mais tradição em revelar jogadores. Lá, ele ajudou a formar o inglês Eric Dier, atualmente no Tottenham e um dos representantes da Inglaterra na Copa do Mundo de 2018.

Entre as pratas da casa do Palmeiras que têm trabalhado com Abel, o volante e lateral direito Gabriel Menino tem sido um dos destaques na Libertadores. Ele é o quarto jogador do elenco com mais tempo em campo, segundo o site oGol, com 904 minutos jogados, atrás de Weverton, com 1.080, e de Viña e Gustavo Gómez, ambos com 953.

O camisa 25 também é o quarto colocado no ranking de artilharia do time alviverde no torneio continental, com três gols, ao lado do atacante Gabriel Veron. Wesley (contundido), 21, Danilo e Patrick também marcaram na competição, cada um com um gol.

"Há uma mescla muito bem feita de jovens com experientes. É uma visão que tenho para o futuro. Não [vem] de agora quando cheguei, vem de antes, então vamos seguir esse trabalho", decretou Abel.

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