Descrição de chapéu Folha Social+

Violência sexual contra crianças e adolescentes é causa do ano

Na estreia do Folha Social+, movimento #AgoraVcSabe, puxado pelo Instituto Liberta, propõe levante virtual para romper silêncio de vítimas

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São Paulo

A cada hora, quatro meninas de menos de 13 anos são estupradas no Brasil. A maior parte dos meninos vítimas dessa violência têm entre 4 e 8 anos.

São dados de 2021 do Anuário de Violências do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que mostram ainda que 67% dos casos acontecem dentro das residências e 86% são praticados por conhecidos das vítimas.

cartaz contra violência sexual de crianças e adolescentes
Instituto Liberta convoca levante virtual contra violência sexual de crianças e adolescentes - Divulgação/Instituto Liberta

O medo e a vergonha levam à impunidade e à falta de políticas públicas para enfrentar o problema. "O silêncio é pactuador da violência, a torna invisível", afirma Luciana Temer, presidente do Instituto Liberta, que tem como foco o combate à violência sexual contra crianças e adolescentes.

A temática é a primeira entre as Causas do Ano, um dos canais da plataforma Social+, lançada nesta quinta-feira (28), que engloba também o Empreendedor Social.

Com apoio do Instituto Liberta, uma série de produtos editoriais sobre violência sexual na infância e adolescência ganharão visibilidade nas multiplataformas da Folha ao longo dos próximos quatro meses.

"A sociedade não vê a gravidade do problema porque não enxerga sua dimensão. Não enxerga porque não há dados suficientes, e não há dados porque não há denúncia. E não há denúncia porque é um crime silenciado e que envergonha a vítima e seus familiares", dia Luciana Temer.

Dentro da estratégia de dar visibilidade ao problema, uma passeata virtual pretende reunir 1 milhão de pessoas no dia 18 de maio para romper o silêncio da violência sexual contra crianças e adolescentes.

O movimento #AgoraVcSabe usará imagens e vozes de adultos de todo o país que gravaram vídeos dizendo "Eu fui vítima e agora você sabe".

"Vamos ser a última geração que se calou diante da violência contra crianças e adolescentes", afirma a presidente do Liberta, que criou o levante para marcar o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

"Não é sobre a história de ninguém, é sobre a força coletiva de tirar esse tema da invisibilidade", explica.

Isso porque os participantes da passeata virtual não precisarão relatar o que viveram e aparecerão uma vez no meio da multidão. "As pessoas são convidadas a falar três frases. Não precisa se identificar, não tem que dar nome, não tem que contar história", diz Luciana.

Ela se colocou em primeira pessoa ao revelar ter sido estuprada aos 27 anos, durante um assalto. Aos 13, também vivenciara uma situação de violência sexual nem sempre encarada como tal, ao se deparar com um homem se masturbando ao vê-la passar.

Luciana Temer é presidente do Instituto Liberta e professora da PUC-SP
Luciana Temer é presidente do Instituto Liberta e professora da PUC-SP - Keiny Andrade/Folhapress

​#AgoraVcSabe

A passeata #AgoraVcSabe teve inspiração nos movimentos #MeToo, #PrimeiroAssedio e #ChegadeFiuFiu, que escancararam abusos a partir de relatos públicos de vítimas. Mas também foi resposta a um impasse que incomodava a equipe do instituto.

"Como convenço um número imenso de adultos a admitirem que foram vítimas de violência, saindo do lugar de constrangimento?", conta a advogada.

O levante virtual pretende mostrar que a violência é generalizada nas diferentes camadas sociais e que não é só para quem passou por estupros graves –violências consideradas sutis também fazem parte do rol de abusos.

O site lista alguns tipos de violências e convida o público a refletir: Algum adulto te tocou ou acariciou nas partes íntimas? Te mostrou propositadamente o órgão genital? Se masturbou na sua frente? Te deu alguma "recompensa" por um ato sexual? E isso te provocou ou hoje te provoca dor, vergonha, constrangimento ou medo?

A passeata virtual é a primeira etapa do que o Instituto Liberta considera fundamental para o enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes.

"Acreditamos em política pública. Neste ano eleitoral, abordaremos gestores sobre a presença de planos de enfrentamento da violência em seus planos de governo."

Como gravar seu vídeo para o levante virtual

  1. Acesse agoravocesabe.com.br pelo celular ou desktop

  2. Clique em ‘Já fui vítima’ para conhecer tipos de violências

  3. Clique em ‘Gravar’, declare ser maior de 18 anos e aceite o termo de uso de imagem

  4. Posicione seu rosto no círculo e leia o texto que aparece na tela

  5. Refaça o vídeo se desejar

  6. Clique em ‘Enviar’

  7. Deixe seu email se quiser receber uma notificação sobre quando seu rosto irá aparecer na passeata do dia 18 de maio

​A causa de Combate à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes tem o apoio do Instituto Liberta, parceiro da plataforma Social+.

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