Descrição de chapéu Todo mundo lê junto

"Quem ama não morre jamais", diz padre Julio Lancellotti

Líderes espirituais falam sobre a morte e o que acreditam que acontece depois dela

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São Paulo

O dicionário diz que a morte é o fim da existência e da vida, mas, em cada religião, este importante momento é visto de uma maneira diferente. Além disso, cada crença também tem visões diferentes sobre o que acontece depois que a vida se encerra.

Algumas pessoas acreditam que as almas vão para um lugar onde estão todos aqueles que amamos, enquanto outras entendem que é preciso voltar à Terra para melhorar as relações com os outros. Saiba um pouco de como pensam quatro importantes líderes espirituais a respeito desta que é a única certeza que se tem a respeito da vida.

Folhinha conversa sobre morte com as crianças
Seguidores do catolicismo entendem que orações podem beneficiar os mortos - Catarina Pignato

CATOLICISMO — Padre Julio Lancellotti

“Tanto a vida quanto a morte são formas diferentes de viver o amor. Sempre digo que a dor pela morte de alguém é a dor do amor. Porque, se não tivesse amor, não teria aquela dor. A vida é essa força do amor que resiste, que luta para enfrentar as dificuldades. A morte é a dor do amor. Você está sofrendo porque você ama, e não está mais vendo nem ouvindo a pessoa amada, porque agora ela adormeceu. Ela está viva de outra forma. Por que rezamos pelos mortos? Porque os amamos. A oração é tornar presente quem você ama. Não sei como eles recebem ou sentem estas orações, mas nós estamos vibrando e vivenciando este amor, então eles não deixam de existir para nós. Um dos meninos de quem cuidei em um abrigo estava muito doente, e me perguntou como ia ser quando ele morresse. Quis saber se encontraria o pai e a mãe no Céu. ‘Como eu vou vê-los se meus olhos vão ficar na Terra?’, perguntou. Respondi: ‘Você vai ver com os olhos do amor’. Ele argumentou que nunca conheceu os pais. ‘Mas eu nunca vi eles’, disse. Eu disse, então, que eles iam chegar perto dele e dizer ‘meu filho’. O amor nos torna imortais. Quem ama não morre jamais.”

Folhinha conversa sobre morte com as crianças
"Quando você reencarnar, vai estar cercado de pessoas com quem já teve contato", explica babalaô - Catarina Pignato

UMBANDA — Babalaô Luis Guilherme Santos

“Na umbanda, quando a gente fala de morte está falando do processo de deixar este plano e ir para outro. Nesse outro plano, a gente vai ter uma outra vivência, mas é da nossa vida mesmo, porque a vida não é limitada a esta dimensão onde estamos hoje. O que a gente busca nesse plano aqui é ser um ser mais evoluído. Quando a gente nasce, a gente vem com uma série de lições de casa de coisas que precisa ressignificar. O que a gente está vivendo aqui é o que combinou lá no outro plano. Quando a gente sai para a missão na Terra, vem com essa listinha, e tudo que vive aqui é um desafio dessa listinha. Vamos sendo desafiados para viver tudo aquilo que combinamos, mas com livre arbítrio para poder fazer ou não os combinados. A reencarnação é um processo em que os espíritos, quando não estão mais na carne, têm oportunidade de voltar para a Terra. A reencarnação vai se dar sempre com uma estrutura de espíritos que têm necessidade de reforçar vínculos, reconhecer afetos. Provavelmente, quando você reencarnar, vai estar cercado de pessoas com quem já teve contato. E, nessa oportunidade, vai poder buscar o processo evolutivo destas relações.”

Folhinha conversa sobre morte com as crianças
"Quando negamos alguma coisa, é aí que surge o medo", acredita líder budista Robina Courtin - Catarina Pignato

BUDISMO — Reverenda Robina Courtin

“Para todos os lugares que olharmos há morte. A formiga está ali, e de repente morre. O nosso vizinho morre, pessoas em outros países morrem. Todos nós sabemos que a morte é parte da vida, mas, porque não gostamos de pensar que também vai acontecer com a gente, a gente meio que nega o assunto. Não negamos que acontece com os outros, mas não suportamos pensar que vai acontecer com a gente. Sentimos essa dor horrível por imaginar que podemos perder a mamãe e o papai, e isso é compreensível. Mas, quando negamos alguma coisa, é aí que surge o medo. Não importa se a gente tem nove anos ou 90 anos: somos muito apegados às coisas. E não conseguimos suportar a ideia de que elas vão mudar. Vivemos nossas vidas não só com medo da morte, mas com medo de qualquer mudança. Se você vive entendendo que as coisas mudam, você traz a morte para dentro e lida melhor com ela. Sei que é um assunto intenso, que é difícil falar sobre isso. Mas somos inteligentes e conseguimos. Às vezes os adultos acham que as crianças não vão entender a morte, e isso pode ser ofensivo. Eles esquecem que, quando somos pequenos, somos brilhantes.”

Folhinha conversa sobre morte com as crianças
"A morte não é o ponto final", diz rabino - Catarina Pignato

JUDAÍSMO — Rabino Joseph Saltoun

“Pela visão da cabala e do judaísmo, existe a alma. Cada ser tem uma alma, uma essência divina. Pode chamar de alma ou de espírito. Além do corpo, temos uma essência energética que faz parte de Deus, da luz que é emanada do criador. Quando chega a hora de a pessoa nascer, esta alma entra num corpo. E o corpo cresce, desde a infância, vai crescendo. O sentido de viver é realizar a missão da alma. Toda vez que chega o momento em que a alma já se realizou, a alma não precisa mais estar aqui. A morte é a separação do corpo e da alma. Você, então, vai para um lugar chamado Paraíso, onde tem o grupo de todas as almas. Então, ninguém desaparece. A alma no Paraíso não sofre. Ela fica sossegada, com muita paz e muita sabedoria, e fica eterna para todo o sempre. Às vezes, a alma precisa retornar para, mais uma vez, morar aqui no físico. Então, a morte não é o ponto final. É uma transição entre vidas, desta vida para outra vida. A alma não desaparece. A gente pode continuar falando com a alma como se ela estivesse viva. E essa alma escuta orações, pensamentos, emoções. É uma força da vida que continua a ser presente, mas em uma outra dimensão.”

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