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Dolce & Gabbana põe fim a circo de celebridades e faz retorno às origens

Marca reviu estratégia de trocar modelos por blogueiros na passarela para conquistar millennials

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Milão

Na terra encantada das redes sociais, as pessoas posam para ter milhões de amigos. Desde que trocou modelos por blogueiros na passarela, a Dolce & Gabbana conquistou vários nos últimos anos, passou a fazer roupas para gerar “likes” e virou coqueluche “instagramável”. 

Mas bastou uma polêmica para os seguidores darem “unfollow”, o novo “estou de mal” na cartilha cibernética, e esconderem no armário o guarda-roupa pop dado de presente pela etiqueta.

A grife aprendeu a lição e parece ter girado a chave. Soou como retorno às origens a primeira coleção feminina desfilada na semana de moda de Milão após o movimento de boicote da Ásia, fruto de uma propaganda da marca considerada xenófoba em que uma oriental tenta comer macarrão com pauzinhos.

Na habitual passarela de domingo (24), que encerra a temporada de desfiles em Milão, a Dolce & Gabbana mostrou, finalmente, por que sua tesoura é uma das mais importantes da moda.

A alfaiataria preciosa, bordada com fios dourados, renda e pedrarias, foi só um dos inúmeros pontos de atenção do resgate de um repertório que havia sido preterido em prol da extravagância imagética das estampas digitais, dos desenhos pueris e do viés adolescente para conquistar millennials.

Como se lembrassem as pessoas de que ainda podem ser relevantes para a moda, colocaram na passarela técnicas tradicionais nos vestidos de festa ricamente adornados com pedrarias, construções complexas baseadas nos fraques e um perfume dos anos 1920 e 1930.

Batizado de "Elegância", o desfile foi ambientado como um teatro, com tablado e cortinas, onde um apresentador explicava como cada bloco de looks dialogavam com a história da marca de Domenico Dolce e Stefano Gabbana.

Cruzaram a passarela todas as estampas de leopardo, os casacos de paetês e os terninhos de tapeçaria feitos para as luzes da noite que até pouco tempo eram sinônimo de poder nas redes. Mas agora, sem o estardalhaço virtual, eles conseguem brilhar sozinhos e sem o aval dos "influenciadores".

A região da Sicília, norte criativo para os pretos drapeados e o visual florido que identifica a marca, esteve mais forte do que nunca na passarela dos designers, que pareciam querer reafirmar seus códigos para uma audiência que esperava esse sacolejo de estilo.

Não foi um final de temporada espalhafatoso como a grife sempre fazia parecer, mas o início de um novo momento, mais limpo e desvinculado do burburinho virtual, que reposicionou a etiqueta nos trilhos do respeito.

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