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Televisão

Série sobre dono e seu cão usa absurdo e humor ácido para cativar

Criada e estrelada pelo rapper Slick Naim, 'É o Bruno!' parece insana, mas faz tutor se identificar

Mariana Agunzi
São Paulo

É o Bruno!

  • Onde Netflix
  • Elenco Solvan Naim, Shakira Barrera, Rob Morgan
  • Direção Solvan Naim

​Quem está esperando uma versão ainda mais bonitinha de “Marley e Eu” para o streaming pode desistir. A recém-lançada série de humor “É o Bruno!”, da Netflix, passa longe do best-seller que virou filme e emocionou os amantes de pets há 11 anos.

Não que ela não fale sobre o mundo animal, pelo contrário. “É o Bruno!” foca justamente a relação entre um homem, Malcolm, e seu cachorro, Bruno. Só que, diferentemente de Marley, Bruno não quer deixar uma grande lição de vida no fim da temporada e nem faz ninguém chorar. Ele faz melhor.

Escrita, roteirizada, dirigida e estrelada pelo rapper Solvan “Slick” Naim, que interpreta o marrento Malcolm, a série mostra um rapaz morador de Bushwick, bairro do Brooklyn nova-iorquino, que vive em função de seu cachorro. Aliás, não só vive em função dele como também está empenhado em fazer com que a vizinhança aceite e trate seu cão com o devido respeito. 

É em torno de Bruno que a história e os personagens se desenvolvem. Malcolm vê Bruno como uma pessoa —recompensa o animal com peito de peru aquecido numa frigideira, seu prato favorito. Gasta qualquer dinheiro extra em rações “superpremium”. Arruma briga com o dono do supermercado, que não deixa ele entrar no local, e fica enfurecido com vizinhos que não limpam a caca de seus bichos do chão. 

Somam-se a isso Lulu (Shakira Barrera, de “Glow”), que é obcecada por seduzir homens solteiros e roubar seus cachorros, Billy e Barry Bailando (Eddie J. Hernandez e Anthony L. Fernandez), que usam a salsa para distrair as pessoas na rua e sequestrar —adivinhem— seus cães, e Harvey (Rob Morgan), vizinho de Malcolm que trava com ele uma disputa por quem sabe ensinar mais comandos aos animais.

São situações aparentemente insanas, escrachadas, e que poderiam empobrecer uma série de roteiro simples. Só que elas geram uma identificação nata com os donos de pets e revelam um texto inteligente.

O desenrolar da trama também mostra como misturar um assunto fofo (cães) com piadas, disparidades sociais e uma pequena dose de baixaria, surtindo um bom efeito. 

Pontos também para a atuação de Bruno (que se chama Bruno, mesmo) e seu entrosamento com Naim, justificado pelo simples fato de que eles são, de fato, “pai e filho”. 

O misto de pug com beagle foi adotado pelo rapper, que descobriu o talento do bicho como “ator” em uma gravação de outro trabalho. O cãozinho fazia caras e bocas enquanto esperava seu dono no estúdio. Naim gravou as cenas e depois riu do resultado. 

Além disso, o formato da série —são oito episódios curtinhos, de no máximo 15 minutos— ajuda o espectador impaciente a não desplugar. “É o Bruno!”, portanto, não cansa. Acaba tão rapidinho que a gente espera uma nova (e bem provável) temporada.

 
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