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Cinema

Capricho de animação da 'Pixar chinesa' é de encher os olhos

Com 'Os Brinquedos Mágicos', temos o raro prazer de ver texturas e paisagens da China como pano de fundo

Lúcia Monteiro

Os Brinquedos Mágicos

  • Quando Estreia na quinta (22)
  • Classificação Livre
  • Elenco Guanlin Ji, Jason Kesser
  • Produção China, 2017
  • Direção Gary Wang

O hábito chinês de tomar chá a qualquer hora é algo bem conhecido. Fora da China, porém, pouca gente já viu os infusores de cerâmica que mudam de cor quando em contato com a água quente. Fabricados artesanalmente na forma de bichos e personagens humanos, os chamados "tea pets" são uma tradição nas províncias de Fujian e Jiangsu, no leste do país. 

Nascido na província de Fujian, o cineasta Gary Wang se inspirou nesses objetos que via em sua infância para criar seu segundo longa-metragem de animação, que chega ao Brasil como "Brinquedos mágicos" – o título internacional escolhido foi "Tea Pets". 

Um dos fundadores do estúdio de animação Light Chaser, inaugurado em 2013 com o objetivo de ser uma Pixar chinesa, Gary Wang conta, em "Brinquedos mágicos", a história de Nathan, um infusor de cerâmica defeituoso: por uma razão desconhecida, ele não muda de cor nunca, tornando-se alvo fácil do deboche de seus colegas, expostos na mesma vitrine que ele. 

Um dia, Nathan encontra Futurebot, um carismático robô em forma de bola branca, que diz ter vindo do futuro. Juntos, eles buscam desvendar os mistérios que os assombram. Por que Nathan não muda de cor? Onde está a bonequinha vermelha que sumiu da loja? O que brinquedos e robôs podem fazer para não serem mais controlados? Para isso, os dois personagens embarcam numa longa viagem – que pode corresponder a uma volta na roda gigante. 

É de encher os olhos a primorosa técnica de Gary Wang, sobretudo nas cenas em que os objetos de cerâmica ganham movimento. O elefante cor de terra é irresistível. Quando fica com medo, ele chora e faz xixi com uma graça indescritível.

O pop chinês da trilha sonora conquista espectadores de todas as idades e latitudes, em passagens de intensa beleza, como quando peixinhos coloridos ajudam Nathan a se locomover debaixo d'água, ou na difícil travessia de um lago dominado por sapos malvados. 

Há, na estrutura que encadeia desafios, um flerte com o universo dos games. Os próprios movimentos de Futurebot lembram bolinhas de fliperama e outros jogos. E, embora algumas pontas fiquem soltas na narrativa, "Brinquedos mágicos" agrada crianças e adultos. 

É um prazer raro nas telas brasileiras ver as texturas e as paisagens chinesas como pano de fundo para a história. Além disso, a animação se destaca pelo capricho no acabamento, atento à cultura do chá e da cerâmica. As peripécias enfrentadas por Nathan e Futurebot os deixam com o corpo arranhado, cheio de marquinhas. Bem do jeito dos velhos infusores de chá, que vão ficando melhores conforme o tempo passa, acumulando sabores e histórias.

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