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Última temporada de 'Transparent' vem em forma de musical de cem minutos

Protagonista Jeffrey Tambor foi demitido após ser acusado de ter comportamentos indevidos no set de filmagens

Los Angeles

Quando o ator protagonista do seu seriado de sucesso foi demitido por assédio, Jill Soloway poderia ter partido para um novo projeto. Mas a criadora de “Transparent” queria dar um final justo a sua série sobre a família de um patriarca que resolve sair do armário, uma história inspirada em seu próprio pai.

Para um programa baseado em riscos desde o começo, a solução foi quase natural: cantar. A quinta e última temporada de “Transparent” virou um musical de cem minutos, com estreia marcada para sexta (27) na Amazon.

“É para ser esquisito como sempre fomos”, disse Soloway num evento de lançamento em Los Angeles, ao lado da irmã e roteirista Faith Soloway, que escreveu todas as letras e canções. “Nosso sonho sempre foi fazer um musical na Broadway, e Faith já estava trabalhando em músicas sobre nossa família e fazendo um workshop.”

O filme começa logo com a morte de Maura Pfefferman, interpretada por Jeffrey Tambor, que não dá as caras. O ator foi demitido após ser acusado no final de 2017 de ter comportamentos indevidos no set de filmagens contra uma atriz e sua própria assistente pessoal, ambas transgênero. Ele nega assédio sexual, mas admite que era uma pessoa difícil.

“Não é apenas uma temporada final e sim nossa chance de cicatrizar juntos depois de tudo que passamos nos últimos anos”, disse Solloway, numa referência à demissão de Tambor. “Há tantos momentos de dor nesse filme. Nossos personagens estão de luto por Maura e, como atores e criadores, estamos de luto pelo o que aconteceu com o nosso programa.”

O clima de lamentação quase domina a narrativa e certamente há mais tristeza do que a ebulição sexual das temporadas passadas. O judaísmo da família Pfefferman tem papel acentuado, principalmente por conta dos cerimoniais e de uma discussão sobre o holocausto (que vira música de encerramento).

As canções certamente vão incomodar quem não for adepto do gênero, embora o refrão de duas ou três possa ficar grudado na cabeça.

A primeira cantar é Sarah (Amy Landecker), a mais velha dos três filhos do casal Shelly e Maura Pfefferman. É a música mais pop e divertida, uma homenagem ao trânsito caótico de Los Angeles, algo facilmente compreendido pelos paulistanos: “Faltam só cinco milhas, mas acho que vou ficar aqui o dia todo”, canta a personagem dentro do carro.

“Estava feliz que Sarah não ia teria mais nenhuma cena de sexo, mas logo percebi que teria que cantar, o que é muito mais assustador e intimidante”, disse Landecker. “Não tenho experiência musical, estava com muito medo. Mas Jill sempre nos levou ao limite da expressão.”

Enquanto a família prepara o funeral de Maura, Shelly (Judith Light) cria seu próprio musical inspirado em sua vida e contrata atores fisicamente parecidos com seus filhos e seu ex-marido.

O filme apresenta uma nova personagem, vivida pela atriz Shakina Nayfack, no papel de Maura na peça de Shelly. Nayfack é também diretora musical, ativista trans e dona de um estúdio em Nova York no qual a equipe se reuniu para trabalhar nas músicas e coreografias. Para Solloway, ela foi como a “estrela guia” do filme.

“A primeira vez que o elenco se reuniu depois da grande ruptura de 2017 foi no meu estúdio. Eu os recebi em minha casa, e eles me receberam em sua família”, disse Nayfack. “Tivemos momentos muito sagrados juntos. E a improvisação fez parte de toda a criação.”

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