Descrição de chapéu Livros

Leitura será a maior rede de livrarias do Brasil até março

Empresa fundada em Minas Gerais terá 74 lojas abertas no país, contra as atuais 73 da Saraiva

São Paulo

Se as livrarias Saraiva e Cultura vêm acumulando prejuízos mesmo depois dos pedidos de recuperação judicial, em 2018, outras empresas tentam ocupar o vácuo deixado pelas duas companhias, que dividiam o posto de mais importantes do mercado. 

A Travessa, por exemplo, abriu no ano passado a sua primeira loja em São Paulo e vai inaugurar outra em Niterói, no Rio de Janeiro, em abril. A capital paulista também viu surgir nos últimos meses outras pequenas livrarias de rua, caso da Mandarina e da Livraria da Tarde, ambas no mesmo bairro de Pinheiros no qual se instalou a Travessa. Em março, será a vez da Megafauna, no Copan, no centro da cidade.

Livraria Leitura de Campinas (SP)
Livraria Leitura de Campinas (SP) - Divulgação

“A expectativa é que o mercado volte a crescer neste ano”, aposta Marcos Teles, presidente da Leitura. Até março, a rede de livrarias deve se tornar a maior do país em quantidade de lojas físicas.

Com 72 pontos físicos atualmente, a Leitura inaugura uma nova livraria no shopping Ibirapuera, em São Paulo, na semana que vem, quando a rede irá se igualar em número de estabelecimentos com a Saraiva. Em março, abre outra em Juiz de Fora, em Minas Gerais. Em abril, mais uma no shopping Santana Parque, também na capital paulista. A projeção da empresa é que, até dezembro, sete lojas sejam inauguradas.

Criada em 1967 em Belo Horizonte, a empresa surgiu vendendo livros novos e usados em um ponto de 40 metros quadrados. Mais tarde, ela se espalhou por Minas Gerais e por cidades do Norte e do Nordeste. Em 2010, passou a apostar no interior paulista, antes de inaugurar lojas na capital.

As novas unidades dos shoppings Ibirapuera e Santana Parque, por exemplo, abrem as portas em pontos onde a Saraiva fechou estabelecimentos. 

“É natural ocupar o espaço. São lojas nos mesmos shoppings, mas geralmente com tamanhos menores”, diz Teles. “Precisamos enquadrar nossas livrarias no tamanho que o momento exige. Lojas grandes, com mais de 3.000 metros quadrados, estão em xeque.”

Segundo Marcos da Veiga Pereira, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, o Snel, o fato de Cultura e Saraiva continuarem a operar no vermelho dá pouca segurança para os editores oferecerem mais crédito, o que ele afirma ser fundamental para a recuperação das duas.

“Ainda assim, os números do final de 2019 foram muito positivos —nos quatro últimos meses do ano, o mercado cresceu 23%, revertendo as fortes perdas do primeiro trimestre. Isso nos dá esperança para 2020”, diz Pereira.

Teles, o presidente da Leitura, aponta três causas para a crise de Saraiva e Cultura. 

A primeira é a competição nas vendas online, fazendo com que ambas comercializassem títulos a preço de custo ou até com prejuízo para apresentar um bom volume de vendas. 

O segundo é a manutenção de lojas deficitárias. Por último, ele lembra a aposta em eletrônicos e artigos de papelaria, que pouco têm a ver com o modelo de negócio do setor.

Na organização financeira da Leitura, o empresário diz que fecha todos os anos a loja com piores resultados. “Não temos livrarias deficitárias com mais de dois anos de funcionamento.” Sem dívidas, a empresa registra desde 2018 crescimento médio de 9%.

Isso em um mercado que viu as livrarias desaparecerem nas últimas décadas. Segundo dados do IBGE, 42,7% das cidades brasileiras tinham livrarias em 2001. Em 2018, esse número caiu para apenas 17,7%.

 

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