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'La Casa de Papel' volta violenta e agitada, mas parece perder o fôlego

Apesar dos sinais de esgotamento, quarta temporada tem ótimos momentos

La Casa de Papel

  • Quando Quarta temporada estreia nesta sexta (3) na Netflix
  • Elenco Úrsula Corberó, Alvaro Morte e Alba Flores

“La Casa de Papel” estreou em maio de 2017 no canal aberto espanhol Antena 3. Era uma minissérie de só 15 capítulos, com cerca de 70 minutos cada um.

No final daquele ano, o programa foi lançado mundialmente pela Netflix. A plataforma reeditou os episódios originais e os transformou em 21, com 45 minutos cada um –uma duração mais de acordo com o padrão internacional. Também os separou em duas partes, às quais chamou de temporadas.

Quando a segunda temporada foi disponibilizada pelo serviço em abril de 2018, “La Casa de Papel” já havia se tornado um fenômeno global. A série ganhou um Emmy Internacional naquele ano, e a Netflix anunciou que era seu título em língua não inglesa mais visto em todo o planeta.

A história já havia terminado, mas o público queria mais. “La Casa de Papel” então seguiu o caminho de “Downton Abbey”, “Big Little Lies” e outras minisséries de sucesso e se transformou numa série com temporadas regulares.

Mas como fazer o raio cair duas vezes no mesmo lugar? As duas primeiras fases do programa, para quem ainda não sabe, tratam de um assalto à Casa da Moeda espanhola. Os integrantes do bando se disfarçam usando máscaras de Salvador Dalí e se chamam entre si por nomes de cidades, como Tóquio, Rio ou Denver. A trama acaba (lá vem spoiler) com o grupo desfrutando dos frutos do roubo em lugares paradisíacos, apesar de algumas baixas.

A solução encontrada pelo showrunner Álex Pina foi a mais óbvia possível –outro assalto. Desta vez, ainda mais arriscado e espetacular, à sede do Banco da Espanha, em Madri.

A tão esperada terceira temporada chegou à Netflix em julho de 2019. A quarta, que estreia nesta sexta (3), é, a rigor, a segunda parte deste segundo assalto. E os fãs não irão se decepcionar.

A Netflix liberou cinco dos oito episódios à imprensa. Algumas perguntas deixadas em suspenso desde o ano passado são respondidas logo de cara, como o destino de Nairóbi, papel de Alba Flores, baleada em uma emboscada. Tampouco faltam surpresas, como o surgimento de um novo e letal adversário entre os reféns feitos pelo grupo dentro da sede do banco.

De modo geral, “La Casa de Papel” está ainda mais violenta, e a edição sugere um ritmo vertiginoso. Mas é algo enganador –passada a metade da quarta temporada, a situação principal segue tensa, mas sem nenhum desenlace à vista.

Outro ingrediente que está de volta é uma canção italiana como tema não oficial da série, papel cumprido por “Bella Ciao” nas duas primeiras temporadas. A bola da vez é a ultrarromântica “Ti Amo”, sucesso de Umberto Tozzi de 1977 entoado por um coro de frades num flashback protagonizado por Berlim, papel de Pedro Alonso. Sim, o irmão do Professor, vivido por Alvaro Morte, continua aparecendo, apesar de ter sido morto no final da segunda temporada, e está em algumas das melhores cenas desta nova fase.

Quem meio que caiu para segundo plano é o próprio Professor. O cérebro do bando controlou à distância o primeiro assalto e, apesar de alguns percalços, nunca perdeu o sangue frio. Sua armadura começou a rachar quando ele se apaixonou justamente pelo inimigo –a inspetora Raquel, vivida por Itziar Ituño, que acabou trocando de lado e adotando o codinome Lisboa.

Agora os amantes estão separados. Lisboa foi capturada pela polícia e caiu nas mãos da investigadora Alicia Sierra, papel de Najwa Nimri, cuja crueldade mal é disfarçada por sua gravidez avançada. Além disso, o assalto ao Banco da Espanha saiu totalmente do script previsto. Impotente e apavorado, o Professor não é mais o gênio do crime que sugeria ser.

É tentador comparar a trajetória do personagem à de alguns líderes populistas. Na largada, eles angariam amplo apoio popular ao declarar que irão destruir o sistema por dentro. Mas basta a realidade se impor para se revelarem em toda a sua fragilidade.

Dito isso, seria ótimo que “La Casa de Papel” terminasse agora. A série realizou a façanha de manter um nível razoavelmente alto ao longo de quatro temporadas, mesmo partindo de uma premissa pouco crível. Qual seria o próximo assalto? Já deu, não?

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