Para 67% dos brasileiros, pandemia democratizou acesso à cultura na internet

Pesquisa mostra que quem frequenta atividades culturais presencialmente tende a também realizar atividades online

Belo Horizonte

Com a crise do coronavírus e o isolamento social, parte da vida cultural migrou para a internet. E, segundo a maioria dos brasileiros, a pandemia acabou democratizando o acesso à cultura no ambiente virtual.

Essa percepção foi captada em pesquisa realizada pelo Itaú Cultural e pelo Datafolha, que mostra que 67% dos entrevistados apontaram melhora na democratização do acesso a conteúdos culturais nas redes. A margem de erro é de três pontos percentuais.

Não só música, mas conteúdos relacionados a teatro, artes plásticas, audiovisual e literatura tiveram de encontrar meios de ocupar o espaço virtual. Até figuras avessas aos holofotes deram as caras em transmissões ao vivo, como Rita Lee e o cineasta Jean-Luc Gordard.

As classes A e B são as a que mais dizem ter enxergado democratização das atividades culturais na pandemia —72%—, na classe C, 63% afirmam o mesmo. Nas classes D e E, 71% concordam que houve democratização da cultura.

A pesquisa revelou que aqueles que já frequentam atividades culturais presencialmente também tendem a participar delas em suas versões online. Dos que afirmam terem ido ao cinema nos últimos 12 meses, 87% afirmam que assistem a filmes e séries na internet. Dos que foram a shows presenciais, 72% dizem que assistiram a apresentações de música transmitidas na internet.

A atividade cultural relizada na intenet mais comum entre os entrevistados é ouvir música, relatada por 84%, enquanto 74% dizem ver séries, 60% assistem a shows e 38% leem livros online.

A pesquisa identificou que 71% dos brasileiros entre 16 e 65 anos acessam a internet diariamente, enquanto 7% afirmam não terem acesso à internet. O celular é a principal forma de acesso à redes para 90%.

Há pouco mais de uma semana, a capital paulista chegou à fase verde do Plano São Paulo, o que possibilitou a reabertura de museus, teatros, casas de show, bibliotecas e galerias —com restrições de ocupação e horário de funcionamento, além de medidas de higiene.

Em outra pesquisa também realizada pelo Itaú Cultural e pelo Datafolha, divulgada há cerca de duas semanas, pessoas de menor poder aquisitivo apresentaram os níveis mais baixos de confiança com o retorno das atividades culturais presenciais –43%– em meio à reabertura do setor cultural, enquanto a classe C se mostra mais segura com o retorno –61%. Nas classes A e B, 54% se dizem seguros para realiar atividades culturais nos próximos meses.

A partir desses dados, é possível dizer que a pandemia pode causar uma elitização ainda maior da cultura? Segundo Paulo Alves, gerente de pesquisa de mercado do Datafolha, esse cenário não deve ocorrer, uma vez que já há um bom tempo que estudos têm chamado atenção para o acesso à cultura pelos mais pobres. "A pesquisa mostra que há grande um interesse desse público", diz.

As classes D e E, embora tenham participado relativamente pouco de atividades culturais, tem nível de interesse cultural próximo ao das outras classes.

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