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Cinema

'Os Lobos do Leste' vai além do debate sobre a obsolescência humana

Longa do cubano Carlos Quintela não se limita a abordar a tragédia do envelhecimento ao evocar utopia da harmonia

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Os Lobos do Leste

  • Quando Estreia nesta quinta (25)
  • Classificação 12 anos
  • Elenco Tatsuya Fuji, Shima Ohnishi e Masahiro Kobori
  • Produção Japão/Cuba/Suíça/Reino Unido/Brasil, 2017
  • Direção Carlos Quintela

Qual é a distância entre o homem e a natureza? O que os reúne? "Os Lobos do Leste" aborda estas perguntas que resistem a repostas.

As imagens majestosas que abrem o filme apontam para a utopia da harmonia. Uma estrada sobre imensos pilares integra a paisagem e mostra que é possível equilibrar intervenção humana e ambiente.

No ônibus de turismo que cruza a estrada a guia explica que a vila de Higashiyoshino é conhecida pelas histórias de lobos. Como eles foram extintos na região, os caçadores controlam a população de cervos, que pode causar danos às árvores locais.

A menção a Naomi Kawase como produtora executiva nos créditos de abertura não passa despercebida ao público familiarizado com o cinema japonês contemporâneo.

Os documentários e ficções sensoriais e panteístas da realizadora evocam o suposto elo perdido entre os humanos e a natureza, exploram a harmonia primordial como alternativa a um presente marcado pelo esgotamento das forças.

"Os Lobos do Leste", do cubano Carlos Quintela, transita em universo semelhante.

O personagem Akira é um velho caçador, obcecado pela busca de um último lobo na floresta. Como o animal, Akira é também resíduo, derradeiro representante de uma espécie cujas habilidades foram superadas pela introdução de tecnologias que dispensam a engenhosidade humana.

Akira ecoa o Dersu Uzala de Kurosawa e, como ele, atua como um mediador, um humanizador do que consideramos selvagem. Se o discurso acerca da obsolescência humana e da tragédia do envelhecimento já agrega nobreza ao filme, Quintela não se contenta só com essa mensagem.

A presença magnética de Tatsuya Fuji, o Kichizo de "O Império dos Sentidos", serve de elo entre dois mundos.

Por meio do corpo de seu ator, o filme se embrenha na floresta, capta seus ritmos, sua luz própria, seus sons e estende seu poder sobre nós.

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