Dos bailes de Seu Osvaldo ao D-Edge e à Mamba Negra, cultura do DJ inspira mostra

Novo espaço da Galeria Olido abriga exposição sobre as seis décadas de discotecagem em São Paulo

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

São Paulo

No final dos anos 1950, quem passava em frente à antiga loja de departamentos Mappin, no centro de São Paulo, recebia uma circular do tamanho de uma folha de ofício anunciando os bailes do Seu Osvaldo.

Em suas noitadas, o primeiro disc-jóquei do Brasil recepcionava o público tocando Ray Conniff, jazz dançante e chá-chá-chá num toca-discos acoplado a um pré-amplificador e a caixas de som, um conjunto avançado para a época.

DJ Cashu - Mamba Negra
A DJ Cashu, da festa Mamba Negra - Divulgação

Nas décadas seguintes, o equipamento de som foi se sofisticando e novos estilos musicais, surgindo. Os anos 1970 viram o aparecimento da Techcnis, um toca-discos que praticamente inventou a cultura do DJ como a conhecemos hoje, em torno do então nascente hip-hop, estilo de música da comunidade negra do Bronx nova-iorquino que ganhou popularidade nos anos 1980.

Essas revoluções culturais ocorriam sempre em torno do DJ, responsável por ditar o ritmo de noitadas marcantes para muita gente. Agora, esta figura central para a vida noturna de São Paulo ganha um espaço público na cidade dedicado à sua história e também uma exposição celebrando seus 60 anos atrás dos toca-discos.

O DJ Marky tocando no festival Tomorrowland em 2015; ele é um dos homenageados em exposição inaugural da Galeria do DJ, em São Paulo - Francio de Holanda / Folhapress -1.mai.2015

A mostra “60 Anos de Discotecagem em SP”, que começa a receber o público a partir da segunda quinzena de maio, na Galeria do DJ Sônia Abreu —a primeira disc-jóquei brasileira—, reúne centenas de flyers, discos, fitas e figurinos de festas num espaço na Galeria Olido, no centro de São Paulo. Sim, as circulares do DJ Osvaldo e uma Technics de época estão expostas.

“O DJ há muito pouco tempo é considerado profissional, alguém que pode viver de sua profissão. Em muitas entrevistas que fiz com DJs dos anos 1980, os pais achavam que eles eram vagabundos, não trabalhavam. É preciso legitimar como cultura os bailes, as festas e os DJs”, afirma Claudia Assef, uma das idealizadoras do espaço e organizadora da exposição.

Pensada em ordem cronológica, a mostra dedica espaços a determinados clubes, personalidades e DJs que fizeram história. Há figurinos usados por frequentadores da Gallery nos anos 1970, flyers de baladas famosas dos anos 1980, como o Madame Satã, e vasto material da cena de raves e da explosão do drum’n’bass na década de 1990, incluindo uma bandeira da festa Avonts e um tênis usado pelo DJ Marky.

A cena hip-hop também ganha destaque, com o primeiro toca-discos de KL Jay, exposto próximo a material iconográfico da cena atual de festas, como cartazes da Mamba Negra e figurinos extravagantes usados pelo DJ Paulo Tessuto na sua balada Capslock.

Quem deu carta branca para o projeto foi o secretário municipal de Cultura da cidade, Alê Youssef, que diz ver o DJ como um "agregador cultural, fundamental na propagação e difusão artística da cidade".

Ele conta que havia chamado Assef, uma jornalista especializada em cultura da noite, para trazer uma nova programação à Galeria Olido, com a ideia de integrar o espaço ao seu entorno, atingindo o público frequentador da Galeria do Rock e da rua Dom José de Barros, onde há diversos bares.

Como a jornalista tinha engavetado há anos o projeto de um museu do DJ, a prefeitura acabou bancando a ideia e criando o que é provavelmente um dos únicos equipamentos públicos do mundo dedicado à cultura da noite. O investimento foi de R$ 382 mil.

São Paulo é reconhecida internacionalmente pela sua vida noturna, tanto na iniciativa privada quanto na pública. Clubes como o D-Edge, por exemplo, que está representado na mostra, aparecem frequentemente nas listas de melhores baladas do mundo, e trazem centenas de DJs de fora para a cidade, todos os anos, além de incentivarem os talentos locais, que em seguida passam a fazer turnês internacionais.

E megaeventos como o SP na Rua, promovidos pela prefeitura, levam dezenas de milhares às ruas do centro da cidade —em 2018, por exemplo, foram 50 mil pessoas dançando em dez horas seguidas de festa.

60 Anos de Discotecagem em SP

  • Quando Visitas presenciais, com hora marcada, a partir do dia 18 de maio
  • Onde Galeria do DJ, no Centro Cultural Olido. Av. São João, 473, São Paulo
  • Preço Grátis
  • Link: https://www.instagram.com/galeriadodj
  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.