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Steve Bannon quer exibir nos EUA filme sobre eleição de Bolsonaro e direita brasileira

Ex-estrategista de Trump elogiou 'Nem Tudo se Desfaz', documentário do diretor pernambucano Josias Teófilo

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São Paulo

O próximo filme do cineasta pernambucano Josias Teófilo, “Nem Tudo se Desfaz”, pode ganhar distribuição fora do Brasil pelas mãos de Steve Bannon, que foi estrategista-chefe da Casa Branca durante o governo de Donald Trump. Em um vídeo gravado pelo americano, ele diz que o longa “precisa ter uma audiência global”.

“Nem Tudo se Desfaz” é um documentário que percorre alguns dos eventos mais importantes da política nacional dos últimos anos. A partir das manifestações de junho de 2013 pelo país, Teófilo analisa como um movimento em massa, livre de organizações sociais, redesenhou os rumos da direita brasileira, passando ainda pelo impeachment de Dilma Rousseff e culminando na eleição de Jair Bolsonaro à Presidência.

Cartaz do filme "Nem Tudo se Desfaz", de Josias Teófilo
Cartaz do filme "Nem Tudo se Desfaz", de Josias Teófilo - Divulgação

Entre os entrevistados está o próprio Bannon. “O trailer desse filme me deixou totalmente impressionado”, disse em vídeo encaminhado ao cineasta, destacando que o longa discute questões que vão além do Brasil. “Eu acredito que será considerado o filme mais importante de 2021. Mal posso esperar para trazê-lo aqui para os Estados Unidos para que seja distribuído por toda a América”, concluiu.

Além de assessor político, Bannon também é produtor de cinema e tem sob sua alçada uma ampla gama de filmes alinhados à direita americana e aos republicanos. No elenco de entrevistados de “Nem Tudo se Desfaz” estão ainda Carlos e Eduardo Bolsonaro, Augusto Nunes, Olavo de Carvalho e João Cezar de Castro Rocha.

Mas esse não é um filme de esquerda ou direita, diz Teófilo. Tampouco é governista. Tendo como referência o livro “Massa e Poder”, de Elias Canetti, o documentário versa sobre a “identificação do ser humano com as massas”, algo que o cineasta diz não estar devidamente representado no cinema brasileiro. “Esse filme mostra junho de 2013 como o início de um movimento revolucionário, que termina com a eleição do Bolsonaro”, diz.

“E não tem nada de elogioso falar que é revolucionário. Para a esquerda, essa palavra é elogiosa, mas para a direita —e para mim—, não é, é a descrição de um fato.”

Em entrevista à coluna de Mônica Bergamo em outubro de 2019, Teófilo afirmou que Bolsonaro fazia um bom trabalho na Presidência, apesar das rixas internas do PSL que, à época, tomavam o noticiário. Agora, o cineasta diz que é “complicado avaliar o governo, porque as coisas são caóticas”. Mas ele tem críticas, principalmente no que diz respeito à área cultural, na qual “o governo, desde o começo, vai muito mal”.

“Nem Tudo se Desfaz” está finalizado e espera ganhar classificação indicativa dentro de dois meses para, então, entrar em cartaz. O lançamento fora do país ainda precisa ser planejado com Bannon, mas no que depender do americano, não deve demorar a acontecer.

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