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'The White Lotus', série mais vista da HBO, é uma das surpresas do ano

Com segunda temporada garantida, telespectadores vão finalmente descobrir quem morreu no luxuoso hotel havaiano

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Cena da série 'The White Lotus', com Murray Bartlett, Jolene Purdy, Natasha Rothwell e Lukas Gage Divulgação/HBO

The White Lotus

  • Onde HBO Max
  • Classificação 16 anos
  • Elenco Murray Bartlett, Connie Britton e Jennifer Coolidge
  • Produção EUA, 2021
  • Direção Mike White

Parece que foi de uma semana para outra que "The White Lotus" virou o assunto pop mais quente do momento. As dicas do programa que estreou no dia 11 de julho, que começa morno e vai ficando mais e mais esquisito e imprevisível ao longo dos cinco episódios que foram ao ar nos domingos seguintes, vinham de todos os lados. Ficou impossível ignorar. Virou a série mais vista do canal, que fechou acordo, nesta última semana, para uma segunda temporada, com novo elenco e outra locação.

E, agora, chega ao fim. O último capítulo desta primeira temporada vai ao ar este domingo, dia 15/8, quando tanto os telespectadores quanto os turistas e os empregados do resort havaiano vão saber de quem é o corpo colocado no avião na primeira cena do primeiro episódio.

Criada por Mike White, que escreveu e dirigiu todos os episódios, o mesmo nome por trás do longa "Escola do Rock" (2003) e das séries "Freaks and Geeks" (2000) e "Enlightened" (2011-2013), "The White Lotus" é uma sátira social tragicômica e irresistível que se passa durante uma semana caótica no resort de luxo havaiano que dá nome ao programa.

As complexas relações entre empregados e empregadores ricos, ou, neste caso, turistas ricos, já rendeu uma boa leva de ótimos roteiros, como, por exemplo, os da série britânica "Downton Abbey" (2010-2015), e do filme que a inspirou, "Assassinato em Gosford Park" (2001), de Robert Altman.

Neste caso, a contemporaneidade é um complicador a mais nessa convivência em que os elementos mais determinantes dos comportamentos de cada um não são ditos, mas estão ali, óbvios, em todos os diálogos, encontros, pedidos, flagrantes.

A classe baixa, a dos funcionários, deve ser sempre cordata, gentil, prestativa e, mais importante, não deve demonstrar nenhum sinal do que se passa emocionalmente ou na sua vida pessoal. Tem que agir como se não existisse uma pessoa normal por trás daquele ser subserviente e contente. Logo no primeiro episódio, o gerente do resort, Armond, explica para uma nova funcionária que ela deve fazer cada hóspede se sentir como "uma criança especial, a favorita do hotel".

Armond, papel do australiano Murray Bartlett, é o personagem central da série, já que todos os dilemas dos hóspedes e dos funcionários passam por ele, que deve, em última instância, ter solução para tudo. Ele é alcoólatra e viciado em drogas, está limpo há cinco anos, mas o estresse de seu trabalho, nessa semana em particular, bota sua sobriedade em risco. Testemunhar sua elegância e afabilidade se transformarem progressivamente em selvageria é um dos grandes prazeres desta série.

A classe alta, a dos turistas ricos que se hospedam no resort havaiano, por outro lado, se permite estar a todo momento com os sentimentos à flor da pele. O menino mimado que acha que não está na melhor suíte, a que foi reservada por sua mãe para sua lua-de-mel, não disfarça a irritação e persegue o gerente Armond pedindo explicações e uma reparação.

Cena do quarto episódio de 'The White Lotus'
Cena do quarto episódio de 'The White Lotus' - Reprodução

Sua mulher, Rachel, papel de Alexandra Daddario, é a única representante de uma classe social intermediária entre os turistas e os funcionários. Ela é uma jornalista sem emprego fixo que vêm de uma família bem mais humilde que a do seu marido, Shane, interpretado por Jake Lacy, o riquinho inconformado com a segunda melhor suíte, e começa a ter dúvidas em relação ao seu casamento assim que chega ao Havaí.

As duas jovens estudantes que estão hospedadas com a família de uma delas são puro tédio, até descobrirem que levaram, sem perceber, um arsenal impressionante de drogas, entre lícitas e ilícitas. A mãe de uma das meninas, executiva de uma empresa de tecnologia, passa grande parte do tempo redecorando a suíte para arrumar um fundo para suas reuniões por Zoom que não revele que ela está de férias. A outra parte do tempo dedica a criticar seu marido e proteger seu filho adolescente, que a filha mais velha maltrata e obriga a dormir espremido na cozinha da suíte.

Tem ainda Tanya, papel da incrível Jennifer Coolidge ("American Pie", "Doce Vingança"), uma alcoólatra solitária que vai ao Havaí levando as cinzas da mãe para despejar no oceano e se apega à gerente do spa do hotel, Belinda, papel de Natasha Rothwell, que mantém em sua órbita com a promessa de que poderia investir em um centro holístico só para ela.

Concebido e filmado durante a pandemia, "The White Lotus" foi gravado no hotel Four Seasons da ilha de Maui, no Havaí. E, apesar de ter um assassinato revelado na primeira cena, não é um suspense, e sim um estudo de personagens, ou melhor, um desnudamento coletivo. Como costuma acontecer nos reality shows, em que os primeiros episódios mostram os participantes nas suas melhores versões e, no fim, eles são eliminados quando se revelam suas piores facetas. E é uma das melhores surpresas televisivas deste ano.

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