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Filmes mostra de cinema

'Curral' traz bastidores do coronelismo, mas não prima pela originalidade

Filme de Marcelo Brennand mostra como corrupção e miséria se alimentam

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Curral

  • Quando Estreia nesta quinta (11)
  • Classificação 14 anos
  • Elenco Thomás Aquino, Rodrigo García, Carla Salle, José Dumont, Thardelly Lima, Clébia Sousa e Fernando Teixeira
  • Produção Brasil, 2021
  • Direção Marcelo Brennand
Todo mundo sabe, ou ao menos pensa que sabe, o que é um curral eleitoral. É um desses locais mais ou menos remotos em que a população fica nas mãos de um ou dois coronéis. Seriam, portanto, populações para quem a ideia de democracia é uma abstração mais ou menos inútil.
"Curral", o filme com que Marcelo Brennand estreia no longa-metragem, pretende ilustrar o funcionamento desse mecanismo, a partir de Chico Caixa, jovem idealista que busca ajudar as populações pobres (a de um assentamento, em particular), levando água a eles num caminhão-pipa. Estamos em Gravatá, interior seco de Pernambuco.

Chico Caixa vira cabo eleitoral de um jovem que pretende revolucionar a política local, caso se eleja vereador. Baseado numa velha (e talvez suposta) amizade de infância, sai de casa em casa, cabalando votos para Joel, o candidato. E atacando a política do prefeito. É a velha história do novo contra o velho.

Temos então um filme que oscila entre o didatismo e a denúncia. O primeiro aspecto é mais convincente, tem a ver com ilustrar como uma população absolutamente despossuída se torna refém de poderosos, já que uma mísera migalha já parece representar muito, em face de necessidades nunca satisfeitas.

A precária alfabetização (ou o completo analfabetismo) ajudam a selar o pacote –o coronelismo garante a miséria, que se perpetua pela dependência econômica. Se houver alguma dúvida, a dependência econômica e cultural pode ser reprimida pela força.

Essa, em linhas gerais, é a situação exposta por Brennand.

Ela supõe, quase obrigatoriamente, a denúncia dessa situação, como corolário. O curral eleitoral destrói não só os corpos como as almas dos envolvidos. Chico Caixa, em dado momento, lembra uma miniatura (em termos de estatura política) do bravo guerreiro de que falava Gustavo Dahl.

"Curral" não se destaca pela originalidade e talvez nem seja esse o objetivo principal do filme. Não se pode atribuir a essa característica uma espécie de deficiência do filme. A fragilidade do desenvolvimento dramático, sim, constitui uma limitação mais ou menos óbvia. Talvez o autor tenha procurado compensar essa deficiência com uma forma polida, na verdade excessivamente polida, para uma situação que talvez se demonstrasse com mais clareza com a rudeza que Paulo Caldas usou em seu "Deserto Feliz".

Nesse sentido, chama a atenção o pouco destaque dado ao personagem de Vitorino, o prefeito da cidade, papel que José Dumont representa com brio. É perfeita sua imagem do político grosseiro do agreste que "Curral" busca enformar. Já Thomas Aquino, que se destacara como coadjuvante em "Bacurau", novamente aparece muito bem na pele de Chico Caixa.

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