Brasil só deverá recuperar patamar pré-crise em 2020, diz economista

Consumo perdeu fôlego no quarto trimestre, sem influência do FGTS

Mariana Carneiro Nicola Pamplona
Brasília

O crescimento da economia moderou no último trimestre do ano e isso contribuiu para uma expansão abaixo do esperado em 2017.

A expectativa dos analistas ouvidos pela agência Bloomberg era de uma alta de 0,4% no PIB no quarto trimestre, em relação aos três meses anteriores. O número, porém, veio em 0,1%.

Dessa forma, no ano, o PIB cresceu 1%, abaixo da projeção central dos economistas (1,1%).

Apesar do primeiro número positivo após dois anos de queda, a economia brasileira ainda está rodando no mesmo patamar que estava do início de 2011, de acordo com o IBGE. Ou seja, ainda levará tempo para recuperar a renda perdida.

Segundo cálculos do economista Marcelo Kfoury, da FGV-SP, feitos a pedido da Folha, se o país mantiver o crescimento previsto pelos analistas do mercado financeiro (2,9% neste ano e 3% em 2019), o patamar pré-recessão de 2014 só será recuperado em 2020. O PIB per capita, só em 2022.

 O PIB per capita avançou 0,2%, tem termos reais (descontando a inflação) em 2017, alcançando R$ 31.587.

 

DESACELERA

Um dos puxadores da atual recuperação, o consumo das famílias contribuiu para um  desempenho mais moderado do PIB no quarto trimestre.

Depois de um salto no terceiro trimestre (1,1%), a expansão do consumo perdeu fôlego para 0,1% no fim do ano. 

O cálculo do PIB feito pelo IBGE desconsidera os efeitos das vendas de Natal e outros fatores sazonais na comparação entre trimestres.

Mas o impacto atípico da liberação das contas do FGTS, no segundo e terceiro trimestres do ano, pode ter contribuído para taxas mais robustas nos meses que antecederam a temporada de compras do fim do ano.

Um indício de que o consumo pode ter sido antecipado é o desempenho da atividade de comércio. No ano, o setor respondeu pelo terceiro melhor desempenho entre as atividades destacadas pelo IBGE, com um crescimento de 1,8%.

Ficou atrás apenas da agropecuária, com incríveis 13% de alta, e da indústria extrativa (petróleo e minério de ferro), com 4,3%.

No quarto trimestre (ante o terceiro trimestre), o crescimento do comércio moderou para 0,3%.

Rebeca Palis, coordenadora de contas nacionais do IBGE, observa que o consumo está “mais ou menos” no mesmo patamar do terceiro trimestre.

Porém, os elementos que estão contendo as compras das famílias não se alteraram a ponto de acelerar o consumo. O crédito continua lento e as taxas de desemprego estão elevadas. A taxa média de desemprego em 2017 foi de 12,7%, terminando o ano em 11,8%.

Parte desse dinheiro a mais na mão dos consumidores pode, por outro lado, ter virado poupança. A taxa de poupança cresceu em 2017, para 14,8%, ante 13,9% no ano anterior, voltando a níveis pré-crise mas ainda abaixo dos 16% de 2014 e longe do pico de 19,3%, em 2007.

Para Rebeca Palis, a moderação no quarto trimestre tem relação com a saída da agropecuária das contas do PIB. Com safras recordes, o setor respondeu por 70% do crescimento em 2017. No fim do ano, marcou taxa zero.

A desaceleração da agropecuária foi compensada, observa Rebeca, por um crescimento elevado dos investimentos e da indústria no quarto trimestre.

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