Nafta vai evoluir porque 'não está no Twitter', diz mexicano

Para Carreño há diferença entre o que ocorre na promoção política e o que acontece nas negociações

Paulo Carreño, diretor da Proméxico, agência de promoção de exportações do México - Adriano Vizoni / Folhapress
Isabel Fleck
São Paulo

O homem à frente da Proméxico, a agência de promoção de exportações do México, Paulo Carreño, diz estar otimista com as conversas sobre o Nafta (acordo de livre-comércio entre seu país, os EUA e o Canadá) e aponta uma razão inusitada: "A negociação não está no Twitter".

Donald Trump chegou a prometer que acabaria com o Nafta, depois disse que iria negociar com os vizinhos. As discussões já duram mais de um ano — e essa é outra razão que Carreño aponta para manter o otimismo.

"O fato de que sigamos sentados à mesa há mais de um ano é um bom sinal", disse Carreño em entrevista à Folha, às margens do Fórum Econômico Mundial para a América Latina, que ocorreu nesta semana, em São Paulo.

"Veja o que aconteceu com os outros acordos comerciais que desagradavam ao governo Trump: o TPP [Parceria Transpacífico], por exemplo, ele manifestou que não gostava e algumas horas depois os EUA estavam fora", afirmou o diretor da Proméxico, citando também a recente concretização do aumento nas tarifas de importação do aço.

Segundo Carreño, há uma diferença entre o que ocorre "no plano da promoção política" dos países e o que acontece nas negociações.

"A negociação não está no Twitter. O tratado de livre-comércio está numa mesa de negociação com três equipes muito qualificadas que estão analisando com muito cuidado dados técnicos", disse. Trump usa o Twitter para atacar adversários, criticar países e políticas e fazer anúncios potencialmente desastrosos.

Apesar de ressaltar que a Proméxico não faz parte da equipe de negociação mexicana sobre o Nafta, Carreño fez um resumo sobre o que considera avanços obtidos no último ano: 6 dos 30 capítulos submetidos pelo México à negociação já estão fechados e mais de uma dezena "tem um avanço significativo de mais de 50%".

"Nos outros há um avanço em maior ou menor graus", disse. Ele defende ainda que os números do bloco jogam a favor. "O Nafta não só triplicou a balança comercial entre os três países desde que foi assinado: entre México e EUA, quintuplicou o comércio."

Para Carreño, Brasil e México estão num bom momento, mas "poderiam ter uma relação comercial muito melhor". "Acho que poderíamos ser muito mais complementares, em setores como o alimentício, o manufatureiro e o automotivo", disse.

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