Taxa de juros deve ter só mais um corte, reafirma presidente do Banco Central

Mesmo com inflação mais baixa para março desde o Plano Real, Ilan diz que  deve interromper sequência de cortes

Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn
Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn - Adriano Machado/Reuters
Bernardo Caram
Brasília
Mesmo diante do baixo índice de inflação registrado em março, o presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, reafirmou nesta terça-feira (10) que a taxa de juros deve sofrer mais um corte na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Moneária) e, depois, a trajetória de queda deve ser interrompida.
 
O dado da inflação oficial do país, divulgado nesta terça pelo IBGE, mostra que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) variou 0,09% em março, índice mais baixo para o mês desde a implementação do Plano Real, em 1994. No acumulado de 12 meses, o índice está em 2,68%, próximo do piso de 2,5% estabelecido para a meta de inflação.
 
Desde outubro de 2016, o Copom fez 12 cortes consecutivos na taxa Selic, que chegou a 6,5% ao ano na reunião de março. O Comitê volta a se reunir nos dias 15 e 16 de maio.
 
Em audiência pública no Senado, o presidente do BC disse que, para a próxima reunião, o Copom vê como “apropriada uma flexibilização monetária moderada adicional”. Segundo ele, o corte nos juros só não será feito se o BC perceber que a medida não é necessária para levar a inflação à meta.
 
“Para reuniões além da próxima, salvo mudanças adicionais relevantes no cenário básico e no balanço de riscos para a inflação, o Comitê vê como adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária, visando avaliar os próximos passos”, afirmou Ilan.
 
Entre os fatores que serão levados em conta para definir os próximos passos, o presidente do BC citou a evolução da atividade econômica e as projeções e expectativas de inflação.
 

Juros bancários

Na apresentação a senadores, Ilan afirmou que as taxas de juros de mercado apresentam tendência de queda. Ele ponderou que os dados ainda não são satisfatórios.
 
“Não significa que estamos satisfeitos com a velocidade da queda. Queremos que a redução seja mais rápida, para que tenhamos logo crédito mais barato para famílias e empresas”, disse.
 
O presidente do Banco Central mencionou a limitação do período máximo para o uso do rotativo no cartão de crédito, implantada em janeiro, como uma das medidas que estão contribuindo para a redução das taxas.
 
Ilan também comentou a medida anunciada nesta terça pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos), que dá acesso a uma linha de crédito mais barata a consumidores que comprometerem mais de 15% do limite do cheque especial por 30 dias consecutivos.
 
Segundo ele, a decisão é uma inciativa de autorregulação dos bancos que tem o objetivo de "tornar o cheque especial mais eficiente".

Ilan ressaltou que, em média, as pessoas permanecem de 7 a 8 dias no cheque especial. Ainda assim, ele disse que o banco trabalha para reduzir as taxas - que ultrapassam 320% ao ano.

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