Descrição de chapéu greve dos caminhoneiros

Com veículos vazios, passageiros até 'comemoram' anúncio de possível falta de ônibus

Terminais no centro de São Paulo ficaram esvaziados, mas apenas 5% da frota da capital não circulou

Dhiego Maia
São Paulo

"Hoje tá fácil. Não tem fila", diz com sorriso largo a babá Néia Lopes, 40, enquanto esperava a chegada de seu ônibus que a levaria ao trabalho na manhã desta quinta-feira (24) em São Paulo. 

Néia é uma das dezenas de pessoas entrevistadas pela Folha que se espantaram com o clima de feriado que imperou no terminal Santo Amaro, na zona sul da capital paulista, apesar dos transtornos causados pelo protesto dos caminhoneiros que afetou o abastecimento dos ônibus coletivos da cidade.

Sem diesel disponível, as empresas de ônibus foram autorizadas pelo prefeito Bruno Covas (PSDB) a reduzirem a frota em até 40% nesta quinta —a capital possui 14 mil ônibus. Na manhã desta quinta-feira, apenas cerca de 5% dos ônibus deixaram de circular.

Jovem segurando celular
Marla Santana, 23, segura celular com foto de estação lotada de gente enviada por colega de trabalho dela na manhã desta quinta (23) - Dhiego Maia/Folhapress

"O movimento caiu muito. Não tem esses vazios nas plataformas nesse horário" disse Néia, enquanto olhava para o relógio do terminal que marcava 10h10.

O espanto da babá tem correlação direta com outra medida tomada pela prefeitura nesta quinta: a suspensão do rodízio de carros. Mais gente pode tirar o veículo da garagem para ir trabalhar.

Outra que diz não ter sido afetada pela manifestação dos caminhoneiros foi a também babá Simone de Jesus Nascimento, 32. Por volta das 9h, quando a frota de ônibus operava com 97% de sua capacidade, Simone estava mais preocupada com a volta para casa. "Chegar aqui [terminal] foi muito fácil. Agora eu não sei como vou fazer para voltar quando o número de ônibus cair", afirmou.

UNIÃO FAZ A FORÇA

Com celular na palma da mão, a atendente Marla Santana, 23, acompanhava pelo WhatsApp as agruras vivenciadas pelos seus colegas no caminho ao trabalho nesta quinta.

A maioria dos colegas dela chegaram atrasados ao trabalho. Também houve gente que desistiu e voltou para casa.

Marla, que também estava atrasada, já sabia o que enfrentaria. Logo cedo, ela tinha disponível a lista das empresas de ônibus mais afetadas pelo protesto e sabia as linhas que não poderia pegar.

A rede de informação estabelecida com os amigos do trabalho também a ajudou a ficar mais calma.

"Estou bem tranquila. Já sabia o que estava por vir. Agora é saber se isso vai piorar", disse.

Néia já tem um plano, caso não consiga voltar para casa hoje à noite. "O jeito vai ser dormir na casa dos meus patrões", disse.

Houve dificuldade para alguns condutores que precisaram abastecer o carro na capital paulista. O motorista de Uber Jonas Café diz que ficou meia hora em fila de mais de 20 carros em posto da avenida Engenheiro Luis Carlos Berrini, na Zona Sul de São Paulo. 

No mesmo posto, o litro do álcool custava R$ 2,21 quarta e saiu por R$ 2,70 no início da tarde desta quinta-feira, diz.

Horas antes, ele tentou abastecer em outro posto na zona norte, mas desistiu porque, segundo ele, haver mais de uma centena de carros aguardando para abastecer.
 

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