Greve de caminhoneiros já afeta linha de produção de GM e Ford

Distribuição de veículos prontos enfrenta dificuldades, diz General Motors

Raquel Landim Natália Portinari
São Paulo

A greve dos caminhoneiros, que protestam contra o aumento do preço do óleo diesel, começou a prejudicar a logística do setor automotivo, interrompendo a produção e dificultando a chegada dos carros nas concessionárias e nos portos para exportação.

Segundo apurou a reportagem, quatro fábricas já estão paradas: Gravataí (RS) e São Caetano do Sul (SP), da General Motors, Camaçari (BA), da Ford, e Taubaté (SP), também da Ford. Nas três primeiras, faltam peças para a produção dos veículos, enquanto a unidade de Taubaté (SP) parou porque produz motores e transmissões para Camaçari.

Segundo uma fonte do setor, outra fábrica que pode parar ainda nesta terça-feira (22) ou no máximo na quarta-feira (23), se a greve persistir, é a linha de veículos da Volkswagen também em Taubaté (SP).

“Se a situação não se resolver até o fim desta semana, teremos um problema setorial grave”, disse Antonio Megale, presidente da Anfavea, associação que reúne as montadoras de veículos. Uma trepidação no setor automotivo, que representa 4% do PIB e mais de 20% da indústria, pode ter impacto na retomada da economia brasileira.

Nesta terça-feira (22), os caminhoneiros voltaram a bloquear as rodovias de todo o país pelo segundo dia, com manifestações espalhadas por 23 Estados, contra os preços da gasolina e do óleo diesel, que vem subindo com vigor após a mudança na política da Petrobras.

A estatal, que sofreu pesados prejuízos com o controle de preços no governo Dilma, passou a repassar diariamente as variações do petróleo no mercado externo para os preços internos desde o início da gestão Temer. A situação, no entanto, se agravou recentemente, por conta da guinada do petróleo nas bolsas internacionais.

 
A greve dos caminhoneiros provocou uma queda de braço no governo entre o presidente da Petrobras, Pedro Parente, que não aceita ingerência política na estatal, e o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, que resiste a reduzir impostos para compensar a alta do petróleo. Cerca de 50% do preços dos combustíveis são impostos.
 
O setor automotivo é um dos mais sensíveis à greve dos caminhoneiros, porque é dependente do transporte por caminhão —seja para receber as peças que abastecem as fábricas ou para levar os carros até as concessionárias e até os portos onde são exportados. Na Bahia, onde a greve começou na sexta-feira, as peças importadas pela Ford não estão conseguindo chegar na fábrica por conta da falta de caminhões ou até por piquetes dos grevistas. Cerca de 1,7 mil carros que deveriam ter sido exportados também não chegaram no porto.
 
Outro problema grave para o setor é a entrega dos veículos prontos nas concessionárias. Com a greve, os carros estão sendo embarcados nos caminhões cegonhas, mas permanecem no pátio das transportadoras em todo o país, correndo o risco de serem danificados. As concessionárias possuem um estoque um pouco maior de carros, mas pode começar a faltar veículos nas lojas se a greve se estender por mais de uma semana, informam pessoas que conhecem a logística do setor.
 
Procurada, a GM confirmou que está com problemas, mas não deu detalhes, e a Ford preferiu não se manifestar.
 
“A GM informa que o movimento dos caminhoneiros está impactando o fluxo logístico em suas fábricas no Brasil, com reflexo nas exportações. Com a falta de componentes, as linhas de produção começam a ser paralisadas e também estamos enfrentando dificuldades na distribuição de veículos à rede de concessionárias", diz a companhia, em nota.

 

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