Com alta de 1% em abril, setor de serviços tem primeira taxa positiva no ano

Recuperação foi impulsionada pelo setor de transportes, em especial o rodoviário de carga

 
São Paulo

O setor brasileiro de serviços iniciou o segundo trimestre crescendo pela primeira vez no ano e acima do esperado, impulsionado principalmente por transportes e atividades profissionais. O alívio no início do segundo semestre não deve se repetir em maio, com estimativas de que o segmento rodoviário de cargas possa cair mais de 20% por causa da paralisação dos caminhoneiros.

​O volume de serviços subiu 1% em abril ante março e teve alta de 2,2% na comparação com igual mês do ano anterior, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta-feira (14).

O resultado mensal ficou acima da expectativa em pesquisa da agência Reuters com analistas, de alta de 0,7%, e em linha com a projeção de avanço 2,1% na base anual.

Foi a primeira vez em 2018 que o segmento de serviços registrou crescimento frente ao mês anterior, depois de começar o ano com duas taxas negativas e uma estável. 

Na quarta-feira (13), o IBGE já havia divulgado que as vendas no varejo também subiram 1% em abril. ​

A mudança, no entanto, não foi suficiente para reverter a variação negativa acumulada de janeiro a abril, que está em -0,6%.

Das cinco atividades pesquisadas, quatro tiveram alta, sendo que a maior (1,7%) foi para serviços profissionais, administrativos e complementares. O resultado negativo veio dos serviços de informação e comunicação (-1,1%).

O gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo, explicou que os transportes, que têm peso de 30% sobre o índice e registraram alta de 1,2%, foram a atividade de maior influência, um pouco acima dos serviços profissionais, que representam 21%.

Lobo afirmou ainda que os transportes vêm em recuperação desde meados de 2017, em especial o rodoviário de carga. Mas o que impulsionou o segmento em abril foi o transporte aéreo.

Apesar dos bons dados de atividade em abril, os números de maio devem ser fracos, em reflexo às paralisações dos caminhoneiros, avaliou a Guide Investimentos em seu relatório. "À frente, a piora da confiança pode deteriorar o crescimento esperado da atividade."

"O setor de transportes tem mostrado crescimento nos últimos meses e vai ser impactado em maio [pela paralisação dos caminhoneiros]. Se esse impacto for mais forte, o crescimento desse mês pode ser anulado", afirmou Lobo.

O setor de serviços foi um dos mais afetados pela recessão enfrentada pelo país e vem mostrando dificuldades de recuperação mesmo com a inflação e os juros baixos. No primeiro trimestre, o crescimento dos serviços foi de apenas 0,1% sobre os três meses anteriores, segundo dados do  PIB (Produto Interno Bruto), limitado pelo desemprego ainda elevado.

O cenário no Brasil é de confiança abalada, em um ano de eleição para presidente marcada por incertezas, economia instável, desemprego elevado e, mais recentemente, a paralisação de caminhoneiros que trouxe desabastecimento de forma generalizada.

As projeções para o crescimento da economia deste ano vêm sendo reduzidas por analistas, e a pesquisa Focus realizada semanalmente pelo Banco Central aponta agora expectativa de 1,94% de expansão do PIB.

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