Com eleição à frente, lançamento de imóveis em SP deve cair até 10% no ano

Secovi-SP, que projetava estabilidade, agora vê redução no volume de novas unidades na capital

Anaïs Fernandes
São Paulo

De olho no processo eleitoral de outubro, o Secovi-SP (sindicato do mercado imobiliário de São Paulo) revisou suas projeções para lançamentos de imóveis em 2018 de estabilidade para retração entre 8% e 10%.

A expectativa é que sejam lançadas 28 mil unidades neste ano —em 2017, foram 28,7 mil.

Em relação às vendas, a previsão é de crescimento entre 10% e 17%, contra 5% a 10% no início do ano. O volume de unidades comercializadas deve ficar entre 25 mil e 27 mil.

Além da eleição, a redução na projeção dos lançamentos considerou também o comportamento do mercado no primeiro semestre do ano e sondagem feita pelo Secovi-SP junto a incorporadoras da capital paulista.

De janeiro a junho, foram lançadas 8.068 unidades residenciais na cidade, crescimento de 4% ante 2017. Apesar do avanço, o volume ficou 24% abaixo da média histórica de 10,7 mil unidades lançadas no primeiro semestre, calculada de 2004 a 2018.

Imóveis econômicos (com área útil de até R$ 5.000/m²)  representaram 35% dos lançamentos —no primeiro semestre do ano passado, essa participação foi de 19%.

O aumento no peso da tipologia no mercado refletiu-se no preço médio anual dos lançamentos por metro quadrado, que foi de R$ 8,5 mil nos 12 meses até junho de 2018, abaixo do registrado em dezembro de 2017 (R$ 8,6 mil).

A respeito das vendas, foram comercializadas, nos seis primeiros meses do ano, 12 mil unidades residenciais, alta de 52,1% ante 2017. 

O resultado foi o melhor para o período desde 2013, pouco antes da crise econômica, e se aproxima da média histórica do primeiro semestre, de 12,4 mil unidades. O volume também bate com o registrado no boom imobiliário de 2011 e 2012 —11,7 mil e 12 mil unidades residenciais vendidas, respectivamente.

Segundo Flávio Prando, vice-presidente de intermediação imobiliária e marketing do Secovi, o forte ritmo de crescimento das vendas até junho está relacionado à procura por imóveis econômicos e compactos, de valores mais acessíveis.

Os imóveis econômicos responderam por 40% das comercializações no primeiro semestre, contra apenas 13% em 2017.

ESTOQUE

Com as vendas em seis meses superando os lançamentos do período, a quantidade de imóveis não vendidos em oferta na capital caiu 16,6%, se comparada ao estoque de junho de 2017. 

O primeiro semestre terminou com 17.558 unidades disponíveis para venda na cidade, sendo que 67% desses imóveis estavam em construção, e 12%, prontos para morar.

Considerando uma média mensal de vendas no ano de 1.345 unidades, Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi, estima que seriam necessários 13 meses para zerar o estoque na capital. Segundo Petrucci, em igual período de 2017, essa relação era de 16 meses.

O setor se diz preocupado com a Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo na capital, porque grande parte dos lançamentos refere-se ainda a projetos aprovados conforme a Lei de Zoneamento anterior.

Para Emilio Kallas, vice-presidente de incorporação e terrenos urbanos, a recorrente redução na oferta, combinada com uma alegada dificuldade de viabilização econômica de novos empreendimentos devido a custos de outorga onerosa e baixo coeficiente de aproveitamento do terreno, causará, no médio prazo, o aumento dos preços dos imóveis, que, segundo Kallas, foram estabilizados em decorrência da recessão.

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