Em novas projeções, Itaú e Bradesco elevam crescimento do PIB em 2019

Bancos reduzem também estimativa para o dólar no fim deste ano

São Paulo

A Selic (taxa básica de juros do país) deve permanecer inalterada não só no encontro de política monetária de dezembro, segundo mostram as apostas majoritárias no mercado de juros, como também em todo o ano de 2019, avaliou o banco Itaú Unibanco em novas projeções macroeconômicas divulgadas nesta sexta-feira.

A instituição elevou suas estimativas para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) no próximo ano e ainda reduziu as contas para a inflação oficial e déficit primário. A aposta para a taxa de câmbio também ficou menor, mas em 2018.

"Dado o excesso de capacidade na economia, a visão do Copom de que os riscos para a inflação são menos assimétricos e suas previsões próximas do alvo para nos próximos anos, acreditamos que a política monetária pode estar em curso para hibernar no nível atual por algum tempo —salvo choques imprevistos", escreveu a equipe de economistas liderada por Mario Mesquita.

 

Agora, o banco prevê que a Selic subirá para 8% apenas em 2020, e não no segundo semestre do ano que vem, como previa antes.

Para o PIB, a previsão do Itaú Unibanco é de um avanço mais rápido em 2019, de 2,5%, ante 2%, sustentado por condições financeiras mais expansivas, embora os economistas tenham ponderado que esse cenário melhor depende da aprovação de reformas estruturais pelo Congresso.

O IPCA, o índice que baliza a meta perseguida pelo Banco Central, teve sua previsão para 2019 revisada para 4,2%, de 4,3% antes, bem perto do centro da meta de 4,25% ao ano, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

A previsão para o déficit primário caiu para 1,3% do PIB no próximo ano, de 1,5%, em meio à expectativa de receitas extraordinárias. "Entretanto, a sustentabilidade da dívida vai exigir progressos nas reformas que reduzam os gastos fixos, como a reforma da Previdência", insistiu a instituição.

Já no caso do dólar, o banco reduziu a R$ 3,75 no final deste ano, de R$ 3,90 antes, "refletindo a percepção do mercado de menores incertezas rondando a implementação de reformas". Em 2019, no entanto, a instituição manteve o nível de R$ 3,90 anteriormente previsto.

Agência do Itaú Unibanco na região central de São Paulo
Agência do Itaú Unibanco na região central de São Paulo - Zanone Fraissat - 12.nov.2018/Folhapress

O Bradesco também atualizou suas previsões para a economia brasileira e passou a prever crescimento maior do PIB em 2019 e redução da taxa de câmbio tanto neste quanto no próximo ano.

A equipe de economistas chefiada por Fernando Honorato Barbosa colocou na balança os fatores a favor e contra o crescimento econômico e concluiu que os positivos estão se sobressaindo, o que justificava ter elevado a previsão de expansão no próximo ano para 2,8%, de 2,5%.

O banco chama a atenção para a melhora nas condições financeiras, com destaque, entre outros, para o crescimento do PIB no terceiro trimestre mais próximo de 0,5%, queda do risco-país e apreciação do câmbio, "levando as condições financeiras novamente para um patamar expansionista –ainda que inferior ao do começo do ano."

Os fatores negativos citados foram a perspectiva de desaceleração da economia argentina e dificuldades fiscais nos estados e ausência de efeitos expansionistas como o FGTS e PIS.

"É importante ressaltar que a melhora das condições financeiras e menor risco é dependente da implementação de uma agenda de reformas consiste com o endereçamento dos principais desafios do país", argumentou o Bradesco.

O Bradesco também reduziu sua previsão para a taxa de câmbio a R$ 3,70 tanto no final de 2019 quanto de 2020, de R$ 3,90 e R$ 3,80, respectivamente.

"Os fundamentos das contas externas ainda indicam um 'valor justo' para a moeda abaixo de R$/US$ 3,70, mesmo diante da maior incerteza global, mas esses patamares dependem de uma maior alocação vinda dos estrangeiros e do avanço da agenda de reformas."

O banco não promoveu alterações nem nas projeções de inflação --4,4% neste ano e 4,25% em 2019--, e também manteve a previsão sobre a trajetória da taxa de juros, considerando como mais provável o início da elevação da Selic no segundo trimestre em passos de 0,25 ponto percentual, com a taxa atingindo 8 por cento ao final do próximo ano.

Economistas de mercado ouvidos semanalmente pelo Banco Central esperam uma inflação de 4,4% em 2018 e 4,22% no ano seguinte. A estimativa para a taxa de câmbio é de R$ 3,70 neste ano e R$ 3,80 no fim de 2019. A pesquisa Focus mostra, ainda, expectativa de Selic a 8% no fim do ano que vem.

Reuters

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