Alemanha planeja fim de uso de energia a carvão até 2038

Estratégia faz parte da transição para fontes renováveis, que no ano passado alcançaram 40% da matriz do país

Markus Wacket
Berlim | Reuters

A Alemanha deverá fechar todas as suas termelétricas a carvão até no máximo 2038, disse neste sábado (26) uma comissão montada pelo governo, que também propôs o repasse de ao menos € 40 bilhões (R$ 170 bilhçoes) em auxílio às regiões impactadas pelo plano de desativação.

Os planos da comissão estão no centro da estratégia alemã para fazer a transição para fontes renováveis, que no ano passado alcançaram 40% da matriz energética, ficando acima do carvão pela primeira vez.

As propostas da comissão para o carvão, que foram finalizadas depois de mais de 20 horas de negociações finais, servem como guia para o governo em seus esforços para aprovar leis que prevejam o planejado fim do uso de carvão.

O organismo acordou que ao menos € 40 bilhões sejam repassados como auxílio a Estados mineradores de carvão afetados pelo fim do uso do recurso, menos do que os € 60 bilhões pleiteados.

“Esse plano vai tornar possível alcançar as metas climáticas estabelecidas pelo governo alemão, mas também vai, e isso é muito importante, tornar reais suprimentos de energia barata e segura se o governo alemão implementar nossas recomendações”, disse Barbara Praetorius, professor ambientalista que foi uma das quatro líderes da comissão.

“Uma grande maioria da população apoia o fim do uso de carvão. Mas isso deve ser confiável, acessível e aceitável para as regiões.”

Como primeiro passo, será solicitado a operadoras como a RWE, a Uniper, a EnBW e a Vattenfall que desliguem cerca de 12,7 gigawatts em capacidade de geração até 2022, o equivalente a cerca de 24 grandes usinas geradoras, de acordo com o relatório ao qual a Reuters teve acesso. 

Pelo planejamento proposto, a capacidade de geração a carvão na Alemanha deve cair mais da metade, para 17 GW até 2030.

“A comissão recomenda um acordo mútuo com as operadoras numa base contratual a respeito da desativação”, diz o relatório, acrescentando que isso incluiria o entendimento sobre a dimensão exata da compensação financeira.

A chanceler alemã Angela Merkel - Arnd Wiegmann/Reuters

No mês passado, e com honras de Estado, a Alemanha já havia dado o adeus a sua última mina de carvão.

Com a presença do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e do chefe de Estado alemão, Frank-Walter Steinmeier, os trabalhadores da mina de Prosper-Haniel, na bacia do Ruhr, desceram o subsolo pela última vez em 21 de dezembro e fecharam um capítulo da história da indústria alemã.

As galerias escavadas durante 150 anos, ou seja, por seis gerações de trabalhadores, foram seladas e vão-se afogar progressivamente nas águas dos rios. 

“O carvão permitiu a industrialização da região e a prosperidade de toda a Alemanha”, afirmou no mês passado a chanceler alemã, Angela Merkel.

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