Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Fórum de Davos reforça o cacife de Guedes no governo

Para representantes de peso do PIB nacional, a dependência do presidente ao "Posto Ipiranga" continua enorme

Maria Cristina Frias e Luciana Coelho
Davos

Jair Bolsonaro não tem repertório, mas tem Paulo Guedes. Com variações, quase todo empresário brasileiro repetia essas frases em conversas durante o Fórum Econômico Mundial.

Para representantes de peso do PIB nacional, a dependência do presidente ao “Posto Ipiranga”, como ele próprio chamou seu superministro da Economia, continua enorme. Segue como a âncora para a pauta liberal, com a aprovação de reformas e de privatizações, que o governo prometeu.

O Ministro da Economia, Paulo Guedes, no Fórum Econômico Mundial, em Davos
O Ministro da Economia, Paulo Guedes, no Fórum Econômico Mundial, em Davos - Alan Santos/PR

“Paulo Guedes é muito importante. Sem ele, as coisas ficariam mais difíceis”, disse Paulo Cesar de Souza e Silva, presidente da Embraer.

Entre executivos que já fazem negócios com o Brasil, a avaliação era semelhante. Para o presidente-executivo de uma gigante russa, tendo um bom ministro da Economia e querendo abrir o mercado, pouco importa quem é o presidente.

O executivo também disse que o diretor de relações internacionais da empresa recomendou-lhe que esperasse seis meses antes de se encontrar com o governo Bolsonaro, para ver antes como as coisas avançam.

Pela primeira vez, um ministro da área econômica reservou sua agenda de encontros exclusivamente a estrangeiros.

Com brasileiros, se encontra no Brasil, era a ideia. Guedes recusou reuniões individuais com campeões nacionais e concentrou seu tempo em conversas com presidentes de companhias como a petroleira Total.

O executivo de uma multinacional brasileira, que pediu anonimato, referiu-se à comitiva brasileira como uma tragédia, mas disse que as indicações do Guedes são positivas.

Se o ministro não conseguir aprovar as reformas, afirmou, a coisa vai ficar muito feia. E precisa ver que reformas, acrescentou, a ecoar outros presidentes de empresas.

Silva, da Embraer, levou estrangeiros, como o presidente da Lufthansa, à reunião de Bolsonaro com CEOs, na qual, segundo executivos, o presidente saiu-se um pouco melhor que no discurso na plenária do Fórum.

“Os estrangeiros gostaram de ver que há um bom diagnóstico da situação e do que deve ser feito, mas esperam pela execução de medidas. Querem investir no Brasil, mas há dúvida quanto ao que vai passar no Congresso Nacional. No passado, já ouviram muito, mas as coisas não aconteceram”, disse.

“Eles [o governo] disseram que vão tentar aprovar uma reforma de cada vez, primeiro a da Previdência, depois outras, como a tributária.”

Outro executivo se perguntava: será que Bolsonaro consegue? É uma democracia, é preciso negociar.
Banqueiros e empresários dizem que “sentem” dos estrangeiros que eles estão esperando para ver antes de investir. Mas há otimismo, em contraste com o pessimismo com a economia global.

Projeções de bancos estimam recuo de 3,8% para 3,5% do crescimento mundial.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.