'Momento crítico' da GM é revelado às vésperas de novos investimentos

Em 2018, o presidente da empresa no Mercosul havia dito que 20 novos carros seriam lançados até 2022

Eduardo Sodré
São Paulo

O "momento crítico" da General Motors do Brasil, revelado por Carlos Zarlenga, presidente da montadora no Mercosul, em memorando enviado a funcionários de suas fábricas, ocorre quando se esperava um anúncio de novos investimentos.

O comunicado informa que a empresa teve grandes perdas nos últimos três anos e que voltar a investir localmente depende de um doloroso plano para voltar a lucrar.

Ainda há um bom volume de recursos previstos para o país, voltados para a renovação da linha atual de veículos da marca Chevrolet.

Em 2014, a presidente mundial da montadora, Mary Barra, esteve no Brasil para anunciar a aplicação de R$ 6,5 bilhões até 2019, dinheiro que seria usado para modernizar fábricas e lançar novos carros. Um ano depois, em plena crise, a montadora divulgou que dobraria a aposta.

O investimento total seria de R$ 13 bilhões em um período maior, entre 2014 e 2020. Ao menos R$ 4,5 bilhões foram aplicados até o ano passado, mas ainda há um valor não especificado que deveria ser investido na renovação dos produtos. O comunicado de Zarlenga mostra que a montadora pode ter adiado seus planos.

Em maio de 2018, o presidente da empresa no Mercosul havia dito que 20 novos carros seriam lançados até 2022. O cronograma incluiria os modelos globais que serão montados sobre uma nova plataforma a partir deste ano. O primeiro lançamento ocorrerá na China.

Até 2023, os novos produtos deverão representar 75% da linha de automóveis da marca Chevrolet no Brasil. A informação foi divulgada na sexta (11), em Nova York.

Os veículos de nova geração serão vendidos em 40 países e, em cinco anos, deverão representar a metade de todos os carros comercializados pela montadora no mundo.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a General Motors diz que não fará comentários sobre a fala de Carlos Zarenga, nem vai falar de lançamentos futuros neste momento.

A tarefa da vez é conter os ânimos nas fábricas. A direção da montadora se reúne nesta terça (22) com representantes dos sindicatos dos metalúrgicos de São José dos Campos (interior de SP) e São Caetano (Grande São Paulo).

Em nota divulgada nesta segunda (21), o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região diz que o memorando de Zarlenga deixou os funcionários apreensivos.

"A verdade é que a companhia quer aproveitar o momento para fazer uma forte reestruturação, com demissões e fechamento de plantas, algumas já anunciadas nos EUA e Canadá", afirma o texto.

Em novembro, Mary Barra, presidente-executiva da General Motors, confirmou o fechamento de fábricas na América do Norte e o encerramento da produção de veículos com vendas fracas.

De acordo com dados divulgados pela General Motors, o último grande investimento na fábrica de São José dos Campos ocorreu em 2010, quando R$ 800 milhões foram aplicados para produzir a geração atual da picape S10 e o utilitário Trailblazer.

A unidade tem 4.800 funcionários e trabalha atualmente em dois turnos. Os trabalhadores esperam que novos produtos sejam incorporados às linhas de montagem.

A renovação da linha de veículos será voltada para a produção de modelos compactos. A próxima geração dos carros Onix, Prisma e Tracker compartilharão essa nova plataforma. 

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