Tesla vai cortar 7% dos funcionários; ações recuam 6,5%

Fabricante de veículos elétricos tem lutado para obter rentabilidade a longo prazo

Reuters

A Tesla informou nesta sexta-feira (18) que cortaria milhares de empregos para conter custos, já que planeja aumentar a produção de versões mais baratas de seu sedã Model 3. 

A companhia vai reduzir o pessoal em tempo integral em cerca de 7% e manterá apenas os funcionários e contratados mais essenciais. 

Em um memorando para os funcionários,  Elon Musk, executivo-chefe da empresa, disse que 2018 foi o ano "mais desafiador na história da Tesla", acrescentando que  contratou 30% de funcionários no período, mais do que poderia suportar.

"Eu quero ter certeza de que você conhece todos os fatos e números e entenda que a estrada à frente é muito difícil", disse Musk. "Não há outro caminho", acrescentou.

Por volta de meio-dia, as ações da Tesla recuavam 6,5%.

A empresa, que tem lutado para obter rentabilidade a longo prazo e manter uma forte pressão sobre as despesas, também disse que espera que o lucro do quarto trimestre seja menor do que no trimestre anterior.

Musk disse que a empresa precisará entregar pelo menos a versão Model 3 em todos os mercados a partir de maio, já que precisa atingir mais clientes que podem pagar pelos veículos.

Além disso, a Tesla disse que precisa continuar avançando em direção a um Model 3 de preço mais baixo.

Musk tem estado sob intensa pressão para estabilizar a produção do Model 3, um carro que foi revelado no início de 2016 com grande alarde e considerado essencial para a viabilidade da empresa a longo prazo.

Mas a Tesla tem precisado se esforçar para colocar o Model 3 nas mãos dos clientes, muitos dos quais estão esperando desde o início de 2016, e Musk disse no ano passado que a companhia havia se mudado do "inferno da produção para o inferno da logística de entregas".

Essa é a segunda leva de demissões da Tesla em sete meses e vem poucos dias após a empresa cortar os preços americanos de todos os veículos devido ao estoque alto do Model 3s.

Em junho, a empresa informou que cortaria 9% de sua força de trabalho. Musk havia afirmado, em uma rede social em outubro do ano passado, que a equipe da empresa tinha 45 mil pessoas.

Musk disse que a necessidade de versões mais baratas do Model 3 se torna ainda maior em 1º de julho, quando o crédito fiscal dos Estados Unidos cai novamente pela metade, tornando o carro mais caro e novamente no final do ano, quando ele desaparece por completo.

"A redução do número de funcionários faz parte do processo de redução do preço do Model 3 com a bateria de menor alcance e contrabalança a redução nos créditos fiscais federais dos EUA", disse Philippe Houchois, analista da Jefferies.

As vendas da Tesla se beneficiaram de um crédito fiscal federal de US$ 7.500 em veículos elétricos ao longo de 2018, mas esse crédito total expirou no final de 2018, e os novos compradores agora receberão apenas metade desse valor.

"Neste trimestre, assim como no terceiro trimestre, o embarque de variantes do Model 3 com preço mais alto (desta vez para a Europa e Ásia) nos permitirá, com grande dificuldade, esforço e alguma sorte, atingir um pequeno lucro", disse Musk.

A Tesla registrou um lucro de US$ 311,5 milhões, ou US$ 1,75 por ação, no terceiro trimestre encerrado em 30 de setembro.

Musk, que muitas vezes estabeleceu metas e prazos que a Tesla não conseguiu cumprir, surpreendeu os investidores cumprindo sua promessa de tornar a empresa lucrativa no terceiro trimestre, apenas pela terceira vez em seus 15 anos de existência.

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