Honda anuncia modernização de R$ 500 milhões de fábrica em Manaus, sem gerar empregos

Militar, novo superintendente da Zona Franca diz que Bolsonaro manterá modelo

Fabiano Maisonnave
Manaus

A Honda investirá R$ 500 milhões ao longo dos próximos três anos para modernizar a sua fábrica na Zona Franca de Manaus. Não há, porém, previsão de novas contratações.

“Esse investimento é de modernização do processo produtivo”, disse à Folha o presidente da Honda América do Sul, Issao Mizoguchi. “Não está relacionado a emprego. No entanto, se o mercado assim permitir aumentar a nossa produção, os empregos também aumentarão.”

A fábrica conta hoje com cerca de 6.000 funcionários e produz cerca de 3.700 motos por dia. No auge, em 2011, empregava o dobro de pessoas e chegou a entregar até 7 mil motos/dia.

A Honda mantém as mesmas cinco linhas de produção de 2011, mas apenas uma delas funciona em dois turnos. Há oito anos, todas as linhas mantinham dois turnos.

Linha de montagem de motos na fábrica da Honda no distrito industrial da Zona Franca Manaus
Linha de montagem de motos na fábrica da Honda no distrito industrial da Zona Franca Manaus - Lalo de Almeida/ Folhapress

A boa notícia é que 2018 registrou crescimento na produção de 17% em relação ao ano anterior. Trata-se do primeiro aumento depois de seis anos de declínio constante. 

Mizoguchi afirma que o anúncio de investimentos em Manaus não tem relação com a decisão, também divulgada nesta terça (19), de fechar a fábrica de automóveis da empresa japonesa no Reino Unido, que resultará na demissão de 3.500 trabalhadores.

Desde a inauguração, em 1976, a Honda afirma ter investido US$ 2 bilhões em Manaus (R$ 7,4 bilhões no câmbio de hoje). É a maior fábrica da Zona Franca, criada em 1967.

A taxa de desocupação na região metropolitana de Manaus  chegou a 16,3% no terceiro trimestre do ano passado, segundo o IBGE. No país, o percentual é de 11,9%.

Superintendente militar

O anúncio, nesta terça-feira (19), contou com a presença do recém-nomeado superintendente da  Zona Franca (Suframa), o coronel da reserva Alfredo Alexandre Menezes Júnior. Ele havia assumido o cargo na véspera. 

A nomeação de Menezes interrompe a tradição de nomeações políticas para a Suframa). Seu antecessor, Appio Tolentino, era apadrinhado pelo senador Omar Aziz (PSD-AM), candidato derrotado ao governo no ano passado.

Em rápido discurso, ele buscou apaziguar temores de que o governo Jair Bolsonaro (PSL) tenha a intenção de acabar com a Zona Franca, cuja renúncia fiscal no ano passado estava estimada em R$ 24 bilhões.

“Esse modelo foi defendido pelo nosso presidente na sua campanha”, afirmou Menezes, oficial de engenharia e ex-comandante de logística do Exército na Amazônia Ocidental. Ele assegurou que o ministro da Economia, Paulo Guedes, também defende a continuidade da Zona Franca.

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