Justiça libera filho de Francisco Cuoco e outros presos de operação

Magistrado autoriza incluir neto de general Figueiredo na lista de procurados da Interpol

Brasília
A Justiça mandou soltar, nesta sexta-feira (1º) seis presos na Operação Circus Máximus, conforme antecipado pela coluna da Mônica Bergamo
 
A operação foi deflagrada pela Polícia Federal e o MPF (Ministério Público Federal) na terça-feira (29) para apurar um esquema de pagamento de propinas em troca de investimentos do BRB, banco estatal de Brasília. 
 
Os investigados foram beneficiados por decisões distintas, da 10ª Vara Federal em Brasília e do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da  1ª Região).
 
O desembargador Ney bello, do TRF-1, concedeu habeas corpus para libertar os empresários Diogo Cuoco, filho do ator Francisco Cuoco, e Dilton Junqueira, além do ex-diretor do BRB (banco estatal de Brasília) Nilban Júnior de Melo. 
 
Os três estavam detidos preventivamente desde o dia da operação. Por ordem do magistrado, ficarão proibidos de manter contato com outros alvos da operação. 
 
O hotel LSH Lifestyle, antigo Trump Hotel, no Rio de Janeiro
Piscina do hotel LSH Lifestyle, antigo Trump Hotel, no Rio de Janeiro - Divulgação
 
Bello argumentou que os investigados sofreram “constrangimento ilegal” com as prisões. Entendeu que as defesas demonstraram não haver a possibilidade concreta de “ofensa à ordem pública e conveniência da instrução criminal”, fatores que motivaram os encarceramentos.
 
O juiz substituto Ricardo Leite, da 10ª Vara, também determinou a soltura de Junqueira, além dos ex-diretores do BRB Marco Aurélio Monteiro de Castro, Andrea Moreira Lopes e Carlos Vinícius Raposo Machado Costa. Nesses casos, no entanto, o pedido foi feito pelo próprio MPF, que solicitou a substituição das prisões por outras medidas restritivas.
 
A pedido dos procuradores do caso, que integram a força-tarefa Greenfield, Leite também mandou converter em preventivas (sem prazo para expirar) as prisões temporárias (máximo de cinco dias, prorrogáveis) de dois outros envolvidos. Trata-se do empresário Felipe Bedran Calil filho e do ex-diretor do BRB Adonis Assumpção Pereira Júnior.
 
Os investigadores suspeitam que Calil tinha atuação maior na organização investigada, pois foram encontrados na casa do pai dele documentos que indicam movimentações de contas no exterior, com indícios de lavagem de dinheiro.  
 
No caso de Adonis, foram achados R$ 200 mil em sua casa. Também se verificou que ele fez diversas transações com Ricardo Leal – ex-dirigente do BRB investigado e suspeito de ser um dos chefes do esquema – e uma empresa.
 
O juiz também autorizou a inclusão do nome do empresário Paulo Renato de Oliveira Figueiredo Filho – neto do general João Baptista Figueiredo, último presidente brasileiro da ditadura militar – na lista de procurados da Interpol. Ele tem mandado de prisão preventiva em aberto e estaria nos Estados Unidos.
 
A Circus Máximus foi deflagrada a partir das investigações da Greenfield, que mira esquemas de corrupção no BRB para liberar aportes em ao menos três projetos, entre eles a construção do extinto Trump Hotel, no Rio de Janeiro. Os recursos liberados – cerca de R$ 400 milhões – provinham de fundos de pensão e do próprio banco. As propinas pagas teriam chegado a R$ 40 milhões.
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