Analistas projetam crescimento do PIB abaixo de 2% pela primeira vez em dois anos

Previsão de alta recuou para 1,98%; Para 2020, projeção também piorou

São Paulo | Reuters

O mercado voltou a reduzir as expectativas para a atividade econômica brasileira. As projeções pela primeira vez em dois anos estão abaixo de 2%, apontou nesta segunda o Boletim Focus do BC (Banco Central), que realiza pesquisa semanal com analistas de mercado. 

No relatório divulgado nesta segunda (1º), a expectativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019 caiu para 1,98%. No levantamento anterior, a expectativa era de crescimento de 2%.

Para 2020, também houve leve piora do cenário. A projeção de crescimento do PIB passou de 2,78% para 2,75%.

A deterioração das expectativas para o crescimento do PIB considera o baixo desempenho da economia como um todo, em especial da produção industrial. Os economistas consultados pelo BC agora calculam um crescimento de 2,5% para o setor em 2019, contra 2,57% na semana passada. Para 2020, a expectativa de aumento da produção industrial foi mantida em 3%.

A projeção para o crescimento do PIB vem sofrendo sucessivo rebaixamento. Na semana passada, o próprio BC reviu para baixo a sua projeção de crescimento em 2019 de 2,4% para 2%. A revisão foi atribuída à fraqueza observada na atividade econômica no fim do ano passado. A instituição também considerou as consequências econômicas da tragédia de Brumadinho (MG) e a perspectiva de uma safra agrícola menor neste ano.

Para a inflação, permanecem no Focus as contas de alta do IPCA de 3,89% este ano e de 4% no próximo. O centro da meta oficial de 2019 é de 4,25% e, de 2020, de 4%, ambos com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

As expectativas em relação à taxa básica de juros Selic também não foram alteradas. A projeção é que terminará este ano no atual piso histórico de 6,5%, indo a 7,50% em 2020.

O Top-5, grupo dos que mais acertam as previsões, prevê o mesmo cenário.

Na reunião de política monetária de março, quando manteve os juros, o BC indicou que, diante da retomada econômica abaixo da esperada, o balanço de riscos para a inflação passou a ter pesos iguais tanto para cima quanto para baixo, o que tirou o impedimento explícito que o BC vinha apontando para eventualmente diminuir os juros à frente.

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