Bolsa cai 1% com nova previsão de desaceleração da economia global

Trump adicionou pessimismo ao ameaçar taxar importações da União Europeia

Júlia Moura
São Paulo

O mercado teve uma terça-feira (9) marcada por pessimismo e cautela gerados por dados do FMI (Fundo Monetário Internacional) que reforçaram previsões de desaceleração da economia global. Somou-se a isso uma nova frente de disputa comercial travada pelo presidente americano, Donald Trump. O resultado foi a queda das principais Bolsas mundiais, que levou a uma baixa de mais de 1% do Ibovespa. O dólar avançou.

Em relatório desta terça, o FMI diminuiu pela segunda vez as estimativas de crescimento para a economia em 2019. O número esperado para 2019, agora, é de 3,3%. Em janeiro, era de 3,5% e, em outubro de 2018, de 3,7%. Para o Brasil, o número ficou em 2,1%.

Ainda pela manhã, o presidente americano Donald Trump ameaçou impor novas tarifas sobre US$ 11 bilhões (R$ 42 bilhões) em produtos da União Europeia, abrindo uma nova frente de disputa comercial ao mesmo tempo em que tenta encerrar a batalha travada há mais de um ano com a China.

 "A Organização Mundial do Comércio determinou que os subsídios da União Europeia à Airbus tiveram impacto adverso sobre os Estados Unidos, que agora vão colocar tarifas sobre US$ 11 bilhões em produtos da UE! A UE se aproveitou dos EUA no comércio por vários anos. Isso vai parar logo", escreveu o presidente americano no Twitter.

O receio de uma nova crise chegou ao mercado brasileiro, e o Ibovespa, principal índice acionário do país, recuou 1,1%, a 96.291 pontos. O giro financeiro foi de R$ 12 bilhões, em linha com a média de abril, mas abaixo dos R$ 16 bilhões que vinham sendo movimentados diariamente desde o começo do ano.

 No entanto, o fechamento foi em um patamar superior às mínimas do dia. A reação veio por volta das 14h30, quando começou a reunião na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara, que debate a reforma da Previdência.

PSL, o partido do presidente Bolsonaro, e demais partidos favoráveis à reforma da Previdência se alinharam e aprovaram requerimento para inversão de ordem dos trabalhos, para diminuir movimentos de obstrução da oposição à pauta nesta terça-feira.

“A CCJ hoje foi boa, melhor articulada. O presidente conduziu bem e não deixou a oposição dominar”, afirma Alexandre Espírito Santo, economista-chefe da corretora Órama.

No Brasil, a articulação em torno da reforma da Previdência ainda é o centro das atenções. Nesta semana, o ministro da Economia, Paulo Guedes e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, afirmaram que não são os articuladores da PEC. Para Guedes, a coordenação está a cargo do secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho. Para Maia, a responsabilidade é do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS).

“Sem sinais claros de quanto será economizado na reforma, o mercado vai oscilar entre 93 e 95 mil pontos e ficar longe dos 100 mil conquistados em março. Hoje tivemos um cenário pior lá fora e a Bolsa refletiu isso”, disse Espírito Santo.

A agência de classificação de risco Moody's afirmou nesta terça contar com a aprovação da reforma até o final do ano, mas esperar economia entre R$ 600 bilhões e R$ 800 bilhões, abaixo do R$ 1,1 trilhão projetado pelo governo.

O dólar também refletiu o dia de incerteza, mas teve alta modesta, de 0,15%, a R$ 3,8550.

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