Descrição de chapéu Previdência Governo Bolsonaro

Bolsonaro diz que previsão mínima de economia com reforma da Previdência será de R$ 800 bi

Previsão inicial era de economia de R$ 1,1 tri, mas cortes já indicam desidratação para R$ 900 bi

Talita Fernandes Gustavo Uribe
Brasília

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira (25) que o governo espera uma economia de no mínimo R$ 800 bilhões com a aprovação da reforma da Previdência

"É a previsão mínima, né? Da reforma da Previdência", disse ao ser questionado, após almoçar no Planalto, sobre um piso de economia de R$ 800 bilhões com a proposta.

A equipe econômica anunciou inicialmente que esperava uma economia de R$ 1 trilhão com a aprovação da reforma. 

Em café da manhã com jornalistas na manhã desta quinta ele admitiu um valor menor e confirmou o piso enquanto voltava para seu gabinete após almoçar no bandejão do Palácio do Planalto.

Questionado sobre quais serão as alterações que o governo aceita que sejam feitas no texto original da proposta, ele disse não saber.

"Não sei, não sei, quem vai decidir é o Parlamento", afirmou.

Na saída de visita ao Ministério da Educação, na tarde desta quinta-feira (25), o presidente, no entanto, adotou linha diferente. Ele disse esperar que a proposta não seja muito desidratada e afirmou e que não há um valor mínimo.

"Eu falei que a bola está com o Poder Legislativo. Eu gostaria que a nossa proposta saísse na ponta da linha de como entrou. Mas nós sabemos, até pela minha experiência de sete legislaturas, que haverá mudança. Agora, não existe um dado mínimo. O Paulo Guedes fala em torno de R$ 1 trilhão. A gente espera, em havendo qualquer desidratação, que não seja um número que comprometa uma reforma", afirmou.

Também nesta quinta, o governo informou que uma eventual retirada de itens considerados mais difíceis de serem aprovados na reforma da Previdência permitiria uma economia de cerca de R$ 900 bilhões em dez anos.

Os cálculos foram revelados após a Folha publicar, no domingo, reportagem em que mostrava que estudos e contas que embasaram a reforma da Previdência estavam sendo mantidos sob sigilo pelo Ministério da Economia.

As contas abertas nesta quinta mostram que, se a aposentadoria rural, o BPC (Benefício de Prestação Continuada, pago a idosos miseráveis), o abono salarial e a previdência de professores forem retirados da proposta, o governo conseguiriam manter a meta de economizar, pelo menos, R$ 800 bilhões, como dito mais cedo pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL).

O ministro Paulo Guedes (Economia) defendia até então que a economia não poderia ser inferior a R$ 1 trilhão em dez anos.

Para o secretário de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Rogério Marinho, “a fala do presidente foi no sentido de respeitar o Parlamento brasileiro”.

Cabe ao Congresso examinar a proposta de reforma e fazer alterações no texto. O item que representaria maior renúncia seria a focalização do abono salarial, que, em uma década, significaria uma economia de R$ 169,4 bilhões. Com a aposentadoria rural, o governo pouparia R$ 92,4 bilhões no período, enquanto o BPC traria um alívio de R$ 34,8 bilhões.

Se abrir mão do tempo de contribuição de professores da iniciativa privada, a reforma seria desidratada em mais R$ 12 bilhões. O impacto dos professores do setor público não foi detalhado. Nos dados apresentados, o governo indicou apenas o valor total de R$ 224,5 bilhões no regime próprio de previdência da União.

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