Greve, queda nas exportações e chuva reduzem produção de veículos em março

Segundo Anfavea, produção de março teve queda de 6,4% em relação ao mês anterior

Eduardo Sodré
São Paulo

Carnaval não foi o maior problema do setor automotivo no mês de março. Segundo dados da Anfavea (associação que representa as montadoras), a queda de 6,4% na produção em relação a fevereiro se deve às chuvas que inundaram a fábrica de caminhões da Mercedes, à queda nas exportações e à greve na Ford, em protesto pelo anúncio de fechamento da planta de São Bernardo do Campo (grande São Paulo).

Em relação a março de 2018, a queda no último mês chega a 10,1%.

Segundo Antonio Megale, presidente da entidade, esses fatores fizeram com que 18 mil unidades deixassem de ser produzidas no mês passado, que terminou com 257 mil veículos montados. O cálculo inclui carros de passeio, comerciais leves, ônibus e caminhões.

Linha de produção de motores em fabrica da Ford em Taubaté, no interior paulista
Linha de produção de motores em fabrica da Ford em Taubaté, no interior paulista - Diego Padgurschi /Folhapress

No acumulado do ano, a produção registra queda de 0,6% em comparação ao primeiro trimestre de 2018.

Por outro lado, as vendas seguem em crescimento. Os dados de licenciamento no mercado nacional foram divulgados nesta quarta (3) pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).

Apesar do Carnaval, foram emplacados 207,4 mil veículos em março, número que superou em 0,9% o resultado de março de 2018. O resultado também inclui carros de passeio, veículos comerciais leves, ônibus e caminhões. 

Na comparação com fevereiro, o mês passado teve alta de 5,3% nos licenciamentos.

Ao todo, 209,2 mil veículos foram vendidos em março. No acumulado do ano, que registra alta de 11,4%, a soma chega a 607,6 mil unidades comercializadas.

A diferença entre emplacamentos e produção se deve aos estoques e à importação de veículos. A Anfavea defende incentivos fiscais que estimulem a fabricação nacional e a revisão do acordo de livre comércio com o México, que não tem mais cotas pré-estabelecidas.

Em defesa desses incentivos, o presidente da Anfavea citou o relatório publicado pelo Banco Central sobre o biênio 2017/2018. “O setor automotivo representou 1/3 do crescimento industrial e 1/4 do crescimento total do PIB, o que destaca sua relevância”, disse Megale.

As exportações continuam com resultados ruins. O primeiro semestre está comprometido, diz o presidente da Anfavea. “A Argentina realmente caiu, mas há crescimento nas exportações para o México e para a Colômbia.”

No acumulado do ano, 104,6 mil unidades foram exportadas, uma queda de queda de 42% em comparação ao primeiro trimestre de 2018.

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