Preço da carne suína deve subir 70% após surto de febre africana, diz China

Produção do alimento caiu 5% no país no primeiro trimestre e quedas maiores são esperadas, dizem analistas

Pequim | Reuters

Os preços da carne de porco na China devem subir 70% no segundo semestre do ano, disse uma autoridade nesta quarta-feira (17). Dados mostraram que um surto de peste suína africana reduziu em 10% no primeiro trimestre o número de animais no país, que detém o maior rebanho mundial de suínos.

A produção de carne suína da China caiu 5% nos primeiros três meses de 2019 e quedas muito maiores são esperadas nos próximos trimestres, disseram analistas, enquanto o país luta para conter a disseminação da doença.

A previsão acontece enquanto Washington e Pequim tentam fechar um acordo para encerrar uma guerra comercial que pode incluir a compra pelos chineses de mais carne suína dos Estados Unidos para suprir o crescente déficit de oferta, disseram fontes à Reuters.

Criação de porcos em Harbin, na China. Febre africana, fatal aos animais, vem impactando produção de carne suína - Reuters

"(A produção do) segundo trimestre terá uma queda acentuada em relação ao primeiro, e no terceiro trimestre poderá ser ainda maior", disse Feng Yonghui, analista-chefe do site setorial Soozhu.com.

A queda na produção de carne de porco no primeiro trimestre foi atenuada pela demanda durante o festival de Ano Novo Lunar da China em fevereiro, com agricultores preocupados com a baixa nos preços levando os animais ao mercado, disse Feng.

Mas um grande declínio no rebanho significaria que a produção da carne mais popular do país continuará a cair drasticamente.

O Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais informou na semana passada que o rebanho da China caiu 21% em março em relação ao mesmo período do ano anterior.

A peste suína africana — mortal em porcos, mas inofensiva para os seres humanos — tem se espalhado rapidamente pela China, que responde por cerca de metade da produção mundial de carne suína, desde um primeiro surto em agosto do ano passado.

Até 200 milhões de porcos poderiam ser abatidos ou morrer de infecção pela doença este ano, de acordo com o Rabobank, que estimou que a produção da carne pode em cair 30%, embora outros analistas não esperem um impacto tão grande.

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