Bradesco quer internacionalizar contato com alta renda nos EUA, diz Lazari

Banco mira R$ 1,6 tri de brasileiros nos Estados Unidos com compra do BAC Florida

São Paulo

Em uma iniciativa para atender melhor clientes do segmento de alta renda que investem no exterior, o Bradesco fechou a compra do BAC Florida, nos Estados Unidos, por US$ 500 milhões (quase R$ 2 bilhões).

Além disso, o banco mira os quase US$ 400 bilhões (R$ 1,6 trilhão) que brasileiros têm investidos nos EUA. Dos 10 mil clientes do BAC, 20% são brasileiros.

Octavio de Lazari, presidente do Bradesco - Zanone Fraissat - 7.dez.17/Folhapress

Com essa aquisição, o segmento Private do Bradesco praticamente dobra de tamanho dos atuais 13 mil correntistas de altíssima renda.

O BAC servirá de estrutura para a oferta de investimentos, crédito imobiliário e também serviços bancários aos clientes do Bradesco, especialmente aqueles que vieram do HSBC, afirmou à Folha o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari.

A operação ainda depende do aval de órgão reguladores no Brasil e nos Estados Unidos. Essa é a primeira aquisição de instituição financeira feita pelo Bradesco desde a compra do HSBC no Brasil, aprovada em 2016.

À época, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) impôs um prazo de 30 meses para novas compras.

O banco não está pagando caro por uma estratégia isolada de investimento no exterior? 
A aquisição não é um valor tão relevante, e é por um banco que está bem estruturado e dá retorno [sobre o patrimônio líquido] de quase de 16%, patamar elevado para o mercado americano.

O cliente de alta renda tem muitos produtos e serviços dentro do banco, diferentemente do varejo, então existe uma possibilidade de fidelização muito grande. Mas faltava para a gente ter a presença internacional, para que pudesse atender esses clientes de forma rápida.

Alguns clientes que vieram do HSBC sentem a falta disso, a aquisição desse banco vem suprir essa carência.

Com a competição no setor de alta renda trazida pelas corretoras, o banco via risco de fuga de clientes?
Não digo que havia fuga, mas talvez a gente não tivesse o total de investimentos dos clientes.

O investimento [no BAC] vem para proteger e aumentar o relacionamento dos clientes no Brasil, sem perder de foco que estudos estimam US$ 1,5 trilhão (R$ 6 trilhões) latino-americanos investidos nos EUA.

Apenas brasileiros, são US$ 400 bilhões (R4 1,6 trilhão). É um mercado bastante promissor.

O banco pretende fazer outras aquisições no exterior? 
Não. Como na Europa a gente tem agência em Luxemburgo, a principal carência [EUA] está suprida.

Quantos clientes o Bradesco pretende incorporar? 
Dos clientes do BAC, 20% são brasileiros, e 10%, americanos. E, no Brasil, podemos trazer investimentos de clientes que já são nossos, mas estão em outros bancos.

Quando o Brasil atravessa crises, a tendência é que mais investidores procurem levar recursos para o exterior. O sr. entende que é o caso do cenário atual? 
Não diria que é por causa disso, mas todo cliente que tem alto volume de investimentos tem como boa prática a diversificação. E com a taxa de juro a 6,5% é natural que as pessoas procurem investimentos em dólar.

Qual é a avaliação do sr. sobre a atual situação da reforma da Previdência? 
Acho que as coisas entraram nos trilhos. Na visão mais otimista, deveria ser votada no primeiro semestre, mas a gente acha que fica para fim de agosto ou setembro.

O sr. afirmou que a economia não pode ser menor que R$ 1 trilhão em dez anos. Ainda é factível, depois de o presidente Bolsonaro já ter admitido um corte menor?
A gente tem de buscar R$ 1 trilhão. É importante não só pelo fato de ser R$ 1 trilhão, mas pelo que vai representar para o país, para que a gente possa entrar em ritmo de crescimento sustentável.

Com uma reforma abaixo, vai ter de rediscutir medidas em cinco anos. Já que temos a oportunidade, devemos insistir em reforma mínima desse valor.

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