Gasolina e luz em queda elevam expectativa de corte nos juros

Analistas não descartam deflação em junho com queda de preços de energia

Eduardo Cucolo
Brasília

Redução na conta de luz e no valor da gasolina. Queda nos preços dos alimentos. Índice oficial de inflação em queda livre. Em apenas sete dias, foi divulgada uma série de dados positivos que mexeram com as expectativas de inflação e consolidaram a percepção de que o Banco Central iniciará um novo ciclo de corte na taxa básica de juros.

Nesta sexta-feira (7), o IBGE informou que o IPCA (índice que serve de referência para a meta de inflação) ficou em 0,13%, o menor resultado desde 2006 para o mês.

A mediana das projeções do mercado era um resultado de 0,20%. A inflação acumulada em 12 meses caiu de um pico de quase 5% para 4,66%.

Os anúncios na semana passada de redução no preço dos combustíveis e de que não haverá cobrança extra na conta de luz neste mês levaram vários economistas a projetar inflação próxima de zero neste mês, com possibilidade de deflação.

Em 2018, o IPCA ficou em 1,26% no sexto mês do ano, por causa do efeito da paralisação dos caminhoneiros.

Como a expectativa é de inflação mais baixa em relação ao ano passado também nos meses seguintes, espera-se que o índice de preços esteja próximo de 3% no início do segundo semestre, perto do limite inferior da meta para este ano, que é de 4,25% com variação de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

"A inflação está muito tranquila. As expectativas estão ancoradas. Não há pressão de demanda. O dado de hoje [sexta] confirma isso", afirma a economista Julia Passabom, do Itaú Unibanco.

A economista destaca ainda o comportamento favorável não só de preços com maior sazonalidade, como os alimentos, que devem continuar a devolver a alta registrada no começo do ano, mas também de serviços e produtos industrializados, que influenciam os cálculos dos núcleos de inflação e têm grande peso nas avaliações do BC.

O banco projeta um IPCA de 3,6% no fim de 2019 e de 2020, abaixo da mediana do mercado, próxima de 4%. Para a taxa básica de juros (Selic), a expectativa é de queda a partir de outubro --dos atuais 6,5% para 5,5% no início de 2020.

 

O economista Fábio Romão, da LCA Consultores, afirma que o comportamento dos preços dos combustíveis e da energia elétrica ainda pode surpreender positivamente até o fim deste ano.

"Eu tenho uma projeção de queda de 0,01% em junho [para o IPCA], mas a deflação pode ser mais intensa se a Petrobras promover mais uma queda nos preços. E a queda da gasolina pode contribuir para uma queda mais forte também do etanol em junho, pois os dois concorrem na preferência do consumidor", diz.

Segundo Romão, as informações até o momento mostram um regime hídrico mais favorável, o que aumenta a chance de uma bandeira verde da conta de luz em dezembro.

A LCA alterou a projeção para o IPCA no fim do ano, tanto de 2019 como de 2020, de 4% para 3,9%. A consultoria espera que o BC promova dois cortes na Selic, em setembro e outubro, para 5,5% ao ano.

O Santander também projeta deflação para o mês corrente. "A queda dos preços da gasolina no mercado internacional e nas refinarias foi mais acentuada do que o esperado e deve afetar o IPCA de junho e julho, dada a defasagem no repasse dos preços das refinarias para o consumidor", informou o banco.

A projeção do Santander para a inflação ao final dos anos de 2019 e 2020 foi mantida em 4%. O banco também segue com expectativa de Selic estável em 6,5% até o fim de 2020.

O Bradesco reduziu a projeção de IPCA em 2019 de 4% para 3,8%. Para 2020, de 3,9% para 3,8%. O banco espera redução da taxa Selic para 5,75% até o fim deste ano (leia ao lado).

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