Setor de serviços fica estável em maio, diz IBGE

Quatro atividades pesquisadas tiveram alta, com destaque para serviços de informação e comunicação

Nicola Pamplona
Rio de Janeiro

Após ensaiar recuperação em abril, a atividade do setor de serviços ficou estável em maio. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística),  o desempenho reflete os efeitos da crise econômica sobre o segmento de transportes, o único a registrar queda no mês. 

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, quando a economia brasileira foi afetada pela greve dos caminhoneiros, o setor de serviços cresceu 4,8%. No acumulado do ano, a alta é de 1,4%.

Maio foi o segundo mês do ano sem quedas, após um primeiro trimestre no vermelho. Quatro das cinco atividades pesquisadas pelo IBGE apresentaram alta, com destaque para os serviços de informação e comunicação (1,7%).

Houve avanços ainda em serviços profissionais, administrativos e complementares (0,7%), serviços prestados às famílias (0,5%) e outros serviços (2,6%).

A atividade que mantém maiores dificuldades para reagir é o de transportes, mais relacionado à atividade econômica. As atividades de transporte terrestre recuaram 0,6% em maio, na comparação com abril. Foi a quinta taxa negativa dos últimos seis meses.

"Isso está muito relacionado com queda da receita das empresas de transporte de carga, que está relacionado com o fluxo de mercadorias nas rodovias e que está relacionado com o o ritmo da produção industrial", disse o economista do IBGE, Rodrigo Lobo.

O setor de armazenagem também vem sendo impactado pela crise. Ficou estável em maio, mas acumula queda de 3,4%. O setor de transporte representa 30% do indicador de atividades do setor de serviços no país.

Desconsiderando os efeitos da greve dos caminhoneiros em maio de 2018, a atividade do segmento de serviços de transporte está no patamar mais baixo desde dezembro de 2016.

Nos cinco primeiros meses do ano, o setor de serviços acumula alta de 1,4%. "Provavelmente, a gente vai fechar o semestre no campo positivo. Falta apenas um mês e, mesmo que venha negativo, é difícil vir com uma taxa que reverta o crescimento acumulado", afirmou Lobo.

Apesar do crescimento no ano, o setor ainda está 11,8% abaixo do pico da atividade, registrado em janeiro de 2014. O economista do IBGE destaca, porém, que alguns segmentos vêm mostrando dinamismo nos últimos meses. 

Os serviços prestados às famílias tiveram sete meses de alta no último ano, acumulando evolução de 2,7% em 12 meses, a mais alta da série histórica, impulsionada por serviços de hospedagem e e de bufê e comidas preparadas. 

Já os serviços de comunicação e informação vêm sendo puxados por tecnologia da informação (como produção de softwares), que compensa em parte o mau desempenho das telecomunicações. Também foram sete altas no último ano, com crescimento acumulado de 2,1% em 12 meses.

"Esses segmentos, de alguma forma compensam as perdas de transportes e mantém os serviços relativamente estáveis", disse Lobo. Ele ressalta, porém, que o crescimento não necessariamente reflete o aumento do consumo, já que há efeitos estatísticos no crescimento dos serviços prestados à família.

O índice de atividades turísticas teve alta de 1,6%, após recuo de 1,3% em abril. Na comparação com o mesmo mês de 2018, os serviços de turismo cresceram 5,1%, impulsionados pelos segmentos de locação de automóveis e hotéis.

O primeiro pode estar sendo impulsionado pela procura de automóveis de aluguel por motoristas de aplicativos. 

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