Diferença entre taxa brasileira e americana nunca foi tão baixa

Apesar da coincidência, não há sinais de que as duas instituições iniciaram um ciclo de cortes de juros

Eduardo Cucolo Júlia Moura
São Paulo

As decisões dos comitês de política monetária dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos reduziram a diferença entre as taxas de juros nos dois países a 3,75 pontos percentuais.

Trata-se de patamar inédito desde que o Banco Central do Brasil passou a usar a taxa Selic como instrumento de política monetária, em 1999.

Essa diferença, que era de quase 40 pontos naquela época, oscilou durante esses 20 anos refletindo um certo descompasso entre o ritmo das duas maiores economias da América.

Apesar da coincidência de movimentos nesta quarta-feira (31), não há sinais de que as duas instituições iniciaram um ciclo de cortes de juros.

De acordo com André Perfeito, economista-chefe da Necton, o BC brasileiro promoveu um corte de 0,50 ponto percentual na taxa Selic e já falou em cortes adicionais.

O banco central norte-americano, por outro lado, promoveu uma redução de 0,25 ponto e não sinalizou que haverá novas reduções da taxa nos próximos meses.

Com isso, a diferença entre as taxas devem cair ainda mais, retirando a atratividade do ganho com a diferença de juros nos dois países.

"Com um diferencial de juros tão baixo, a gente tem um desestímulo a operações de arbitragem entre as taxas de juros e ao fluxo de câmbio", afirma o economista. 

"Esse mercado pode enfrentar alguma volatilidade até entender qual é plano do BC e qual o plano do Fed [Federal Reserve]."

Nos últimos dois anos, o diferencial de juros caiu cerca de 40%, enquanto o risco-país recuou cerca de 15%.

Marcos Ross, economista da XP Investimentos, afirma que o diferencial de juros está apertado, mas que existe a possibilidade de o Brasil voltar a crescer e os Estados Unidos desacelerarem mais.

"Há chances de isso acontecer com as reformas. O Brasil já está com um patamar de juros adequado para o investidor estrangeiro". 

Para ele, importa mais a relação dívida/PIB do que a Selic para investir. "O estrangeiro é o primeiro a sair e o último a entrar."

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.