Decisão sobre compra de fábrica da Ford em SP pela Caoa sai até outubro

Valores não foram revelados e ambas as partes podem recuar e não fechar o negócio

São Paulo

A fabricante de automóvel Caoa anunciou nesta terça-feira (3) que iniciará processo de diligência prévia para a compra da fábrica da Ford em São Bernardo do Campo (SP). Não foram revelados os valores envolvidos na transação e ambas as partes podem recuar e não fechar o negócio.

A divulgação oficial das negociações, que são conduzidas há meses, foi feita em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, com a presença do presidente da Ford para a América do Sul, Lyle Watters, do presidente do conselho de administração da Caoa, Carlos Alberto Oliveira Andrade, e do governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Watters, porém, não se manifestou durante o evento.

"Há pouco mais de quatro meses iniciamos entendimento após visita da Ford que dizia que a marca havia tomado decisão estratégica mundial da companhia que afetaria a fábrica de São Bernardo. O governo ajudou a buscar comprador que necessariamente deveria preservar os empregos ali existentes. Agora, temos um bom entendimento entre as partes [Caoa e Ford]. Será feito em duas etapas. Temos nos próximos 35 a 45 dias o processo de due dilligence [diligência prévia]. A opção de compra será confirmada ao final desse prazo", disse Doria.

"Até o fim de outubro o negócio deverá sair. Nossos planos A e B são com a Caoa, que deverá manter pelo menos 850 funcionários", disse o prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando (PSDB).

A diligência é uma espécie de investigação de uma oportunidade de negócio que avalia, por exemplo, os riscos da transação. Nessa etapa, as partes ainda podem desistir da transação.

A Ford anunciou em fevereiro que desativaria sua planta na Grande São Paulo como parte da estratégia global de sair do mercado de caminhões e deixar de fabricar o Fiesta. A unidade de São Bernardo produz ambos.

O governador afirmou que a intenção da Caoa é manter a fabricação de caminhões na planta e iniciar a fabricação de um modelo de carro de passeio.

A aquisição seria feita com recursos próprios, segundo Carlos Alberto Oliveira Andrade, presidente do conselho de administração da Caoa. Ele negou que a marca tenha a intenção de reduzir a atividade na fábrica do grupo em Anápolis (GO). O governo goiano, que enfrenta problemas fiscais, tem buscado aumento da arrecadação.

"Nossa intenção é lançar três carros em Anápolis e ter outra marca em São Bernardo", disse Oliveira Andrade.

Doria disse, ainda, que se a Caoa gerar 400 empregos e investir R$ 1 bilhão no estado, poderá aderir ao programa de incentivos fiscais IncentivAuto, que dá desconto de até 25% do ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) aos fabricantes.

Segundo o sindicato dos metalúrgicos do ABC, se a compra da planta for confirmada, haverá a dispensa de ao menos 1.200 dos atuais funcionários. Os remanescentes deverão ganhar salários que variam entre 70% e 80% do que atualmente é pago pela Ford.

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