Governo revisa alta do PIB de 2019 de 0,81% para 0,85%

Avaliação do Ministério da Economia aponta para melhora do desempenho econômico a partir de setembro

Bernardo Caram
Brasília

O governo revisou a projeção de crescimento da atividade econômica brasileira neste ano de 0,81% para 0,85%. A nova estimativa foi divulgada pelo Ministério da Economia nesta terça-feira (10).

De acordo com os cálculos do governo, a previsão para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre teve leve piora, enquanto a expectativa para a alta no último trimestre foi ampliada, fazendo com que um período compense o outro.

Na avaliação do secretário especial de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, o governo espera que seja vista uma melhora na atividade econômica a partir deste mês.

“Agosto encerrou um período extremamente difícil da economia brasileira. A partir de setembro, vamos poder observar com mais consistência uma retomada, passo a passo, da economia brasileira”, afirmou.

De acordo com o secretário, a economia será impulsionada por medidas como a liberação de saques do FGTS e a aprovação da reforma da Previdência, que está em fase de conclusão no Senado.

A leve revisão dos números para cima não reverte o cenário previsto inicialmente pelo governo. O Orçamento de 2019 foi elaborado no meio de 2018 pela gestão Michel Temer e trazia uma previsão de crescimento de 2,5%.

Em março deste ano, a gestão Bolsonaro cortou a projeção para 2,2%. Depois, fez novo corte em maio, para 1,6%, e mais uma revisão em julho, para 0,81%. 

A avaliação do governo sobre o PIB é levada em consideração no fechamento das contas sobre o cumprimento da meta fiscal. Uma alta na previsão de crescimento pode indicar uma melhora da arrecadação e eventual liberação de recursos do Orçamento.

Com as contas públicas estranguladas, o governo já bloqueou mais de R$ 30 bilhões das verbas de ministérios. Serviços públicos, como a liberação de bolsas de estudo e atividades da Polícia Federal, já começam a ser afetados.

De acordo com Sachsida, ainda não é possível afirmar se a melhora nas projeções divulgadas nesta terça permitirá uma liberação de espaço no Orçamento deste ano para que recursos sejam recompostos aos ministérios. Uma nova avaliação das contas do governo será apresentada na próxima semana.

“A estimativa de crescimento é apenas uma parte do processo. Já informamos essa taxa, esse documento vai para Secretaria de Orçamento e a Receita Federal. Com base nas contas desses órgãos, é decidido se vai diminuir ou não o contingenciamento”, afirmou.

Até este ano, as projeções do governo para o PIB eram tornadas públicas a cada dois meses dentro do relatório bimestral de receitas e despesas. Esse é o documento que avalia o cumprimento da meta fiscal.

Desde julho, o governo mudou a forma de divulgação e passou a informar os parâmetros semanas antes da apresentação do relatório bimestral.

O objetivo é deixar o número mais próximo do que é calculado por analistas de mercado, que preveem um PIB semelhante. Depois de diversas mudanças na previsão, o mercado vê um crescimento de 0,87% para este ano, segundo o Boletim Focus do Banco Central. Para 2020, a previsão é de 2,07%. 

Mas, alguns dos principais bancos do país, como Itaú e Bradesco, e consultorias já estimam que a alta do PIB não deverá chegar nem a 2% no próximo ano, com o país chegando ao quarto ano de crescimento pífio.

Fatores como desaceleração da economia global, crise política e econômica na Argentina e um nível muito baixo de investimentos no Brasil têm contribuído para a reavaliação do cenário para 2020.

Na última sexta (6), o Bradesco anunciou que reduziu de 2,2% para 1,9% o crescimento esperado para o próximo ano e manteve em 0,8% a expectativa para 2019.

O Itaú Unibanco também espera crescimento baixo, de 1,7% em 2020, mas já havia ajustado seu cenário em meados de junho, quando abandonou a expectativa anterior de 2%.


0,87% é a previsão mais recente de crescimento da economia em 2019, segundo o Boletim Focus

2,07% é a mediana da expectativa para a alta do PIB de 2020; bancos como Itaú e Bradesco já preveem avanço de menos de 2% no próximo ano

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