Secretário de Alagoas posta vídeo pedindo a Bolsonaro verba para Canal do Sertão

Pasta da Infraestrutura depende de recurso federal para concluir obra que foi tema de delação da Lava Jato

Bruna Narcizo
São Paulo

O secretário de Infraestrutura de Alagoas, Maurício Quintella, postou um vídeo em seu perfil no Facebook pedindo ao presidente Jair Bolsonaro verba para a conclusão das obras do Canal do Sertão Alagoano, que leva água do rio São Francisco para mais regiões do estado. 

Canal do Sertão em Delmiro Gouveia
Canal do Sertão em Delmiro Gouveia - Lula Marques-23/07/2012/Folhapress

Quintella afirma que o canal é a "principal obra estruturante e fundamental para garantir segurança hídrica a milhões de sertanejos e agrestinos alagoanos". 

Na semana passada, a Odebrecht, responsável pelas obras, demitiu 130 trabalhadores após atrasos nos repasses feitos pelo governo federal e afirmou que poderia haver uma paralisação caso não recebesse. 

No início desta semana, o governo do estado de Alagoas recebeu R$ 16 milhões do Ministério do Desenvolvimento Regional e repassou os valores para a empreiteira.

Em sua publicação, o secretário Quintella diz que ficaram "muito gratos" pelos R$ 16 milhões liberados. 

"Mas precisamos ainda de R$ 132 milhões para concluir o trecho quatro, dos quais R$ 76 milhões estão empenhados e na lei orçamentária de 2019. Receba essas informações e imagens do Canal, tenho certeza que tomarás um susto ao ver a beleza desse empreendimento", segue o texto.


O vídeo traz imagens do sertão alagoano, das obras do canal e depoimentos de agricultores. "Pedir para ele [Bolsonaro] liberar a verbas para continuar esse canal", diz um deles. "Essa água será tudo na vida do agricultor", diz outro senhor.


O Canal do Sertão Alagoano foi um dos assuntos tratados pelos executivos da Odebrecht nos acordos de delação premiada firmados com a força-tarefa da Lava Jato. 

Os delatores narraram tratativas feitas em 2009 e 2010 para realizar um acordo entre as empresas que participariam da construção.

O pagamento de propina para as obras do canal também foi um dos motivos alegados pela PF (Polícia Federal) para a operação da semana passada, que teve como alvo o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE). 

PF sustenta que Bezerra recebeu R$ 5,5 milhões em propinas  e empreiteiras encarregadas das obras de transposição do rio São Francisco e nas do Canal do Sertão.

Em 2017, o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), abriu um inquérito para investigar os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Fernando Bezerra (MDB-PE), além do governador de Alagoas Renan Calheiros Filho (PMDB).

Assista ao vídeo:

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