Produtividade global vive estagnação dez anos após a crise, diz relatório

Brasil subiu uma posição em ranking, ocupando o 71º lugar. Na América Latina, ficou em oitavo

Paula Soprana
São Paulo

Uma década depois da crise financeira global e de US$ 10 trilhões injetados por bancos centrais, a maior parte das economias segue presa em um ciclo de baixo crescimento de produtividade. O apontamento é do Fórum Econômico Mundial, que publicou nesta terça-feira (8) seu relatório global de competitividade.

Lançado em 1979, o Global Competitiveness Report dá um panorama sobre os principais fatores que medem a competitividade e o crescimento econômico de 141 mercados.

Endereçado a formadores de políticas públicas, um dos destaques do relatório deste ano é que políticas voltadas ao trabalho e à educação não estão acompanhando o ritmo da inovação na maioria dos países.

O estudo chama a atenção para que governos implementem políticas sociais complementares para apoiar populações na transição para uma economia pautada por tecnologias digitais.

A organização ressalta que isso vale para economias com forte capacidade de inovação, como Coreia, França e Japão, ou capacidade crescente, como China, Índia e Brasil, que precisam investir na base de talentos e melhorar o funcionamento dos mercados de trabalho.

A recomendação geral do Fórum é para que as economias se apoiem em políticas fiscais, à medida que as monetárias começam a perder força. 

Economistas destacam a necessidade de apostar em “incentivos públicos para impulsionar pesquisa e desenvolvimento, aprimorar a base da força de trabalho, desenvolver infraestruturas e integrar novas tecnologias”.

O mercado mais competitivo deste ano é Singapura, que desbancou os Estados Unidos. Em uma escala de 0 a 100 —que mediu infraestrutura, adoção de tecnologias, estabilidade macroeconômica, saúde, mercado de trabalho, sistema financeiro, entre outros—, os países pontuaram 84.8 e 84.1, respectivamente.

O Brasil subiu uma posição, ocupando o 71º lugar. Na lista da América Latina e Caribe, ficou em oitavo lugar, atrás do líder Chile e de países como Panamá, Peru e Costa Rica.

A leve melhora foi sustentada pela simplificação de regulações para abrir e fechar um negócio, o que elevou em 7.8 pontos o pilar chamado dinamismo nos negócios —o Brasil está na 67ª posição.

Apesar de estar relativamente bem posicionado em relação à capacidade de inovação (40º), devido a fatores como força de trabalho diversa, boas publicações científicas e aumento de patentes,  o país fica na lanterna no quesito mercado de trabalho (105ª posição, apesar do aumento de 2.5 pontos).

Ocupa o 105º lugar (apesar do aumento de 2.5 pontos) no pilar que leva em conta remunerações, práticas de contratação e demissão, direitos trabalhistas, políticas de incentivo e de equilíbrio salarial entre gêneros.

Entre os principais obstáculos à evolução do Brasil no ranking estão a estabilidade macroeconômica —o país está na 115ª posição— e a abertura comercial.

Além disso, o estudo elenca como pontos negativos a instabilidade política, o excesso de burocracia e a falta de visão governamental de longo prazo.

Já o tamanho do mercado e o controle da inflação foram mencionados como aspectos positivos.


Índice global de competitividade do Fórum Econômico Mundial

  1. Singapura
  2. Estados Unidos
  3. Hong Kong
  4. Holanda
  5. Suíça
  6. Japão
  7. Alemanha
  8. Suécia
  9. Reino Unido
  10. Dinamarca

Países da América Latina e Caribe

  1. Chile
  2. México
  3. Uruguai
  4. Colômbia
  5. Costa Rica
  6. Peru
  7. Panamá
  8. Brasil
  9. Barbados
  10. República Dominicana
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