Maior, novo aeroporto de Florianópolis quer atrair mais rotas

Terminal foi arrematado no primeiro leilão de privatizações do governo Temer

César Rosati
Florianópolis

Uma ferramenta para atrair novos negócios. É assim que Tobias Markert, CEO do Floripa Airport, descreve o novo terminal internacional de passageiros da capital catarinense. Inaugurado na primeira semana de outubro, o aeroporto entrou na mira de companhias aéreas de baixo custo, e empresas do setor já estudam criar novas rotas para a ilha.

O novo terminal é administrado pelo grupo suíço Zurich Airport, que em 2017 o arrematou por R$ 241 milhões no primeiro leilão de privatizações e concessões do governo do ex-presidente Michael Temer. Em março de 2017, as responsabilidades de outros três aeroportos foram transferidas a empresas privadas —os de Porto Alegre, Salvador e Fortaleza. 

Florianópolis foi o primeiro a ficar pronto. As obras do terminal da capital baiana devem ser finalizadas no próximo mês, enquanto os passageiros do Ceará e do Rio Grande do Sul deverão esperar até 2020 e 2021, respectivamente.

Passageiros no novo aeroporto de Florianópolis, que começou a funcionar em 1º de outubro. - Felipe Carneiro/ Floripa Airport/ Divulgação

O prédio novo é quatro vezes maior que o antigo aeroporto Hercílio Luz, que por anos esteve entre os piores, segundo pesquisas de satisfação da Secretaria de Aviação Civil. Preços abusivos nos estabelecimentos e confusão no embarque e desembarque são alguns itens que derrubavam os indicadores de qualidade do terminal de Florianópolis. 

Nos primeiros dias de funcionamento, a primeira impressão de passageiros e usuários ouvidos pela reportagem era de aprovação. 

“É como se estivéssemos em um aeroporto de primeiro mundo. A questão de mobilidade melhorou consideravelmente e agora é possível aproveitar melhor o tempo antes de embarcar. Não dá nem para comparar com o antigo. É tudo novo e eu estou gostando muito”, disse o médico João Schmidt. 

Outros pontos foram criticados, como a falta de um local determinado para o estacionamento de carros por aplicativo. Por volta das 10h da sexta-feira (4), uma fila se formou em frente ao saguão de desembarque e motoristas tiveram dificuldade para estacionar e buscar os passageiros. O impasse ainda não tem previsão para ser solucionado, pois, segundo a concessionária, “as empresas têm se negado a negociar um novo contrato para esta operação”.

O conjunto de mais de 50 estabelecimentos comerciais, que vão além de lojas, cafés e restaurantes, salão de beleza, supermercado gourmet e empreendimentos de lazer, ainda não foi totalmente entregue. O barulho e a movimentação de empreiteiros pelo espaço do aeroporto será constante até o final do mês, quando todas as lojas deverão estar funcionando normalmente. 

Segundo Markert, o desafio a partir de agora será o de convencer as companhias aéreas e atrair novos voos para Florianópolis.

Com a nova infraestrutura, aeronaves de categoria E, que transportam de 250 a 300 passageiros, poderão viajar para a cidade, o que abre caminho para rotas internacionais.

A Azul foi a primeira a expandir operações com a inauguração do novo aeroporto. Desde o começo do mês, a companhia começou a operar voos entre Florianópolis e Belo Horizonte (Confins).

Em dezembro, outras quatro rotas serão disponibilizadas pela empresa para atender a demanda do verão. Passageiros de Passo Fundo (RS), Rio de Janeiro (Santos Dumont), Foz do Iguaçu (PR) e Montevidéu, no Uruguai, terão voos diretos para a capital catarinense. 

A empresa low cost (de baixo custo) Flybondi, da Argentina, é outra que começará a operar no novo terminal de Florianópolis. A companhia, que estreou no céu brasileiro neste mês com rota entre o Rio de Janeiro e a capital argentina, deve estacionar suas aeronaves em solo catarinense a partir de dezembro.

Para Vinicius De Luca Filho, superintendente de Turismo da Prefeitura de Florianópolis, este pode ser o começo de uma nova fase para o turismo da cidade. Outras empresas, segundo ele, se mostraram interessadas e devem começar a utilizar o novo aeroporto em rotas que ligam o Nordeste, Centro-Oeste e até a Europa e América Central. 

“Realizamos algumas reuniões com companhias que sinalizaram positivamente e avançamos em algumas questões, como na diminuição da alíquota do ICMS no combustível de aviação. Empresas chilenas também estão no radar e temos conversado com companhias aéreas que atuam no Panamá, sobretudo de olho no mercado estadunidense, e com a TAP, para um voo direto para Lisboa”, disse Filho. 

No total, o Floripa Airport recebeu investimentos de R$ 570 milhões. A concessionária será responsável pelo terminal pelos próximos 30 anos.

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