Brasil isenta tarifa de importação de 750 mil toneladas de trigo por ano

Medida concretiza um compromisso assumido pelo país junto à OMC

São Paulo | Reuters

O Brasil implementou uma cota de importação de 750 mil toneladas de trigo por ano sem tarifas, em medida que valerá por prazo indeterminado, informou o Ministério da Agricultura nesta quarta-feira (6).

A cota concretiza um compromisso assumido pelo país junto à OMC (Organização Mundial do Comércio).

A implementação da cota foi aprovada em uma reunião do Comitê Executivo de Gestão da Camex (Câmara de Comércio Exterior) realizada na terça-feira, segundo nota do ministério.

Plantações de trigo na China, no distrito de Jiaxiang
Plantações de trigo na China, no distrito de Jiaxiang - Guo Xulei - 23.set.2019/Xinhua

A pasta acrescentou que as importações de todos os países serão beneficiadas com a cota, exceto as provenientes de nações com as quais o Brasil possui acordo de livre-comércio para o produto –como a Argentina, principal fornecedora do cereal para o Brasil, que é isenta de tarifas por compor o Mercosul.

De acordo com previsões da Abitrigo (Associação Brasileira da Indústria do Trigo), que já esperava a cota em vigor em 2020, a medida pode beneficiar especialmente o grão dos Estados Unidos, Canadá e Rússia.

Em março, em visita à Casa Branca, o presidente Jair Bolsonaro acertou com Donald Trump que o Brasil permitiria a importação de até 750 mil toneladas de trigo dos EUA com tarifa zero.

A medida seria um dos esforços que o Brasil vem fazendo para conseguir a reabertura do mercado americano para as carnes brasileiras—um esforço que sempre encontrou resistência dos produtores americanos de proteína animal.

Os EUA suspenderam a compra de carne bovina in natura do Brasil em meados de 2017, na esteira da operação Carne Fraca, que revelou um esquema de adulteração do produto vendido no mercado interno e externo com atestados de qualidade obtidos mediante corrupção de funcionários do governo. 

Conforme a Folha informou na segunda-feira (4), o governo americano negou a abertura de seu mercado para a carne bovina in natura do Brasil, após uma inspeção técnica liderada pelo Departamento de Agricultura no Brasil.

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