Pré-sal explica em parte a alta do dólar, diz BC

Leilão arrecadou R$ 70 bi, valor recorde para um certame petrolífero mas abaixo do que era esperado.

Brasília | Reuters

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta terça-feira (19) que parte da explicação para o movimento recente de valorização do dólar ante o real tem relação com o resultado do leilão de excedente da cessão onerosa.

"Como a entrada de recursos foi muito menor que a esperada, e muitos agentes do mercado se posicionaram para capturar esse dólar caindo com essa entrada, e a entrada não veio na mesma magnitude, você tem agora uma volta", afirmou Campos Neto em audiência pública na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado.

"Isso é parte da explicação. Parte é global, parte é pré-pagamento. Tem muito exportador que também está segurando, importador que está segurando", disse o presidente do BC.

"São várias explicações."

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em evento promovido pela Organização das Cooperativas Brasileiras, em Brasília
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em evento promovido pela Organização das Cooperativas Brasileiras, em Brasília - Marcelo Camargo - 25.jun.2019/Agência Brasil

Na segunda (18), o dólar fechara na maior cotação da história, a R$ 4,207, com operadores citando preocupações com as negociações comerciais entre Estados Unidos e China e ainda o impacto da frustração com o leilão da cessão onerosa.

Realizado no dia 6, o leilão arrecadou R$ 70 bilhões, valor recorde para um certame petrolífero mas abaixo do que era esperado.

No Senado, Campos Neto reiterou que, para o Banco Central, o que importa é como o valor do câmbio afeta a inflação.

Ele destacou que a desvalorização recente do real não influenciou as expectativas de inflação, em meio a um cenário de entendimento de melhora da economia, melhora de percepção de risco e redução dos juros de longo prazo.

Campos Neto também adiantou que o BC já tem pronto projeto para alterar a tributação do hedge cambial. A ideia da proposta é que os ganhos e perdas com hedge contratado por investidores de longo prazo em infraestrutura possam se compensar, de forma que a taxação só aconteça sobre um eventual ganho líquido.

Nesta terça, com a cautela de investidores em véspera de feriado, a Bolsa brasileira recuou 0,4% e voltou aos 105 mil pontos, menor patamar desde 18 de outubro. O dólar teve um leve recuo de 0,14%, a R$ 4,201, segundo maior valor nominal desde a criação do Plano Real.

Também pesou para a queda do Ibovespa o viés negativo do índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, que recuou 0,36%.

Nesta terça (19), o dólar encostou nos R$ 4,22 pela manhã, mas perdeu força com reportagem da Bloomberg segundo a qual China e EUA estariam calculando a quantidade de tarifas a serem retiradas na "fase 1" do acordo comercial, que pode ser celebrada ainda este ano.

Também nesta terça, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o clima entre os países está bom e que "a China vai ter que fazer um acordo que eu goste".

 

Colaborou Júlia moura, de São Paulo

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