'Absolutamente intoleráveis', diz governo japonês sobre acusações de Ghosn

Ex-presidente da Nissan diz que fugiu da injustiça no Japão

São Paulo

O governo japonês emitiu comunicado para rebater as acusações do ex-presidente da aliança automotiva Renault-Nissan-Mitsubishi, Carlos Ghosn, ao Ministério Público do Japão. Em entrevista à imprensa, o executivo levantou suspeitas de colusão entre a empresa, a Justiça e o governo japoneses

Em resposta, a ministra da Justiça do Japão, Masako Mori diz que as acusações são "absolutamente intoleráveis" e que o "sistema de Justiça criminal do Japão estabelece procedimentos apropriados e é administrado de maneira adequada para esclarecer a verdade nos casos, garantindo os direitos humanos individuais básicos", diz no comunicado.

Gohsn também acusou a justiça japonesa de o manter separado de sua família. Ele teria que permanecer em prisão domiciliar, proibido de deixar o Japão e também só poderia ver sua esposa se o tribunal aprovasse uma solicitação.

Tais restrições levaram sua mulher, Carole Ghosn, a escrever um artigo no jornal The Washington Post questionando as leis japoneses. Ela também entrou em contato com líderes mundiais que se reuniram no Japão para a cúpula do G20, em junho. 

Mori rebate que "existe também uma maneira de entrar com uma ação para buscar reparação de um prejuízo sofrido por tal detenção. A menos que exista o risco de ocultar ou destruir evidências, um réu pode ter contato com seu cônjuge e outras pessoas. Para todos os casos criminais no Japão, como é óbvio, é garantido a todos os réus o direito a um julgamento justo e público."

Em uma demonstração de impotência diante da fuga de Ghosn, Mori se limitou a convidar o executivo a buscar a Justiça em solo japonês. "Se o acusado Ghosn tem algo a dizer, eu tenho a profunda esperança de que ele se engaje em todos os esforços possíveis para buscar Justiça em uma corte japonesa."

A ministra também justificou o rigor do sistema de Justiça de seu país por razões históricas e culturais, afirmando que continuará a trabalhar para aprimorá-lo.

“Nós não vamos economizar esforços para rever como podemos aprimorar o sistema judicial do Japão”, afirmou.

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