Brasil continuará importante exportador para a China, afirma Fitch

Fim da guerra comercial aumentará fluxo de negociações com os Estados Unidos; hoje, 70% das importações chinesas de grãos são da América Latina

São Paulo

O Brasil continuará a ser um importante exportador de grãos para a China no médio e longo prazo, mesmo após a conclusão do acordo que põe fim à guerra comercial sino-americana, prevista para o final deste ano, afirma a Fitch Ratings, agência de classificação de risco.

De acordo com a diretora-executiva e responsável por energia e utilities na Ásia-Pacífico e de iniciativas de pesquisas sobre a China da agência, Yian Wang, as relações comerciais entre o país asiático e a América Latina cresceram 20 vezes entre 2000 e 2019.

"A região responde por 70% de toda a importação da China. E, desse total, a exportação no Brasil é algo perto de 50%. São os principais fornecedores de ferro, cobre, soja e carne", afirmou em evento nesta quinta-feira (5).

Em janeiro, a China e os Estados Unidos assinaram a primeira fase do acordo que pode colocar um fim à guerra comercial entre os dois países.

Colheita da soja na fazenda Lagoa Santa em Guaíra (SP) - Ricardo Benichio-16.fev.2018/Folhapress

Entre os detalhes do acordo, está a exigência de que as empresas chinesas comprem US$ 40 bilhões em produtos agrícolas americanos nos próximos dois anos.

A China, que atualmente importa esses produtos principalmente do Brasil, é o maior comprador da nossa balança comercial.

"Esperamos que, com o acordo, a China passe a importar mais dos EUA, mas o Brasil ainda será um dos principais exportadores de grãos no médio prazo", disse Wang.

Efeito coronavírus

A diretora afirmou também que o ritmo de crescimento da economia chinesa desacelerou nos últimos anos e que alguns setores, como indústrias de manufaturados, já refletem esse impacto.

"Isso passa a mensagem que se o vírus não for contido até o fim do primeiro trimestre, mais setores poderão ser impactados e o risco de liquidez do país pode aumentar" disse Wang.

Segundo ela, o ponto mais drástico dessa situação seria o fato de que muitas empresas, especialmente do setor privado, podem não ter caixa suficiente para lidar com a paralisação.

A expectativa da Fitch é que o PIB da China cresça 6% neste ano, ante 6,1% de 2019.

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